quinta, 23 de abril de 2026
01/01/2024   09:00h - Especial

Yusra, a nadadora Síria que não desistiu

O pai de Yusra era nadador e treinador, mas foi por causa de Michael Phelps, um dos maiores nadadores da história das olimpíadas, que ela resolver seguir carreira nesse esporte e começou a treinar numa piscina, que foi atingida por uma bomba em 2015. Então, ela decidiu deixar a Síria para seguir sua vida em paz.

 

A história de recomeço de Yusra teve início quando ela entrou num bote na Turquia, com aproximadamente 20 pessoas, incluindo sua irmã, e partiu para as ilhas gregas. Apenas 15 minutos depois da partida, já em alto mar, o motor do bote parou de funcionar. Yusra e a irmã, as únicas que sabiam nadar naquele grupo, desceram da embarcação, amarraram cordas ao punho e a empurraram por cerca de três horas e meia até a ilha de Lesbos, aonde todos chegaram em segurança.

 

Dali, eles ainda passaram por diversos países até chegarem ao destino desejado, a Alemanha. Yusra e sua irmã se instalaram num campo de refugiados em Berlim até encontrar um clube que lhes ofereceu residência e a possibilidade de voltar a treinar. O restante da família chegou alguns meses depois, e ela continuou treinando.

 

Durante esse período de treinamentos, ela compartilhou, com seu treinador, o sonho e o desejo que ela tinha de participar de uma olimpíada. Ele disse que seria impossível participar da Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, mas treinariam visando os jogos de Tóquio, em 2020. Nesse meio tempo, o Comitê Olímpico Internacional resolveu criar um time de refugiados para participar da Olimpíada no Rio, e o sonho de Yusra se realizou mais rápido do que ela imaginava.

 

Ela não ganhou nenhuma medalha nessa competição, mas o que aconteceu entre a Turquia e a Grécia, quando ela e a irmã empurraram aquele bote e salvaram a vida de todas aquelas pessoas, fez com que ela ficasse conhecida no mundo todo.

 

Yusra, assim como eu e você, em muitos momentos das nossas vidas, precisou dizer adeus as pessoas com quem convivia diariamente, teve que abandonar uma rotina com a qual estava acostumada, teve que deixar para trás o lugar onde cresceu, a família que lhe dava segurança e certamente teve que superar muitos medos para tomar a decisão de entrar naquele bote e, mais ainda, para se jogar no mar e salvar a própria vida e a de todos que estavam com ela na embarcação.

 

Naquele dia, em 2015, quando a piscina em que ela treinava foi bombardeada, talvez ela tenha ouvido aquela voz interior que grita dentro de nós quando chega a hora de recalcularmos a rota da nossa jornada. Talvez aquele momento tenha sido o alerta que ela precisava para entender que um ciclo estava se encerrando e que era hora de recomeçar.

 

O recomeço não é fácil, e nós acabamos perdendo alguma coisa para poder seguir em frente. E lidar com a perda pode ser um processo doloroso, uma espécie de luto impossível de ignorar. É dessa experiência emocional, vivenciada com resiliência e esperança, que nascem a confiança e a coragem para recomeçar.

 

E é bom lembrar que isso não acontece de uma hora para outra. Em geral, precisamos de um período de recolhimento, reflexões e liberdade para sentir dor, tristeza e todas as emoções que acompanham esse processo. Não conheço todos os detalhes da história de Yusra, mas não me surpreenderia saber que ela experimentou dias de profundo recolhimento, saudade da família e de sua terra natal.

 

Fato é que o medo, a ansiedade e todas as sensações desses momentos vão estar presentes em muitos de nossos recomeços, mas a satisfação de encarar cada uma delas e enfim recomeçar é sempre o melhor aplauso.

 

E você, está pronto para recomeçar neste ano de 2024?

 

Texto: Davison Santos – ON Jornal

Fonte: Kuarupe, evolução humana

Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.