Apesar de comum em vários países, o descarte de papel higiênico no vaso sanitário costuma gerar transtornos no Brasil. A principal razão está na infraestrutura de encanamento, especialmente em casas e prédios mais antigos, que não foi projetada para a passagem de fibras de papel, mesmo as de rápida dissolução. Como consequência, entupimentos, retorno de esgoto, mau cheiro e gastos frequentes com manutenção fazem parte da rotina de muitas residências.
Grande parte das tubulações brasileiras possui diâmetros reduzidos, múltiplas curvas e baixa pressão de descarga, condições que favorecem o acúmulo de papel ao longo do encanamento. O cenário é ainda mais crítico em regiões sem rede pública de esgoto, onde mais de 40 milhões de brasileiros dependem de fossas sépticas. Esses sistemas foram pensados para receber apenas matéria orgânica e líquidos, e não fibras de celulose, o que reduz a eficiência bacteriana, acelera o enchimento da fossa e aumenta a necessidade de limpezas caras.
Nem todo papel se comporta da mesma forma. Folhas duplas ou triplas, papel-toalha e lenços umedecidos, mesmo os rotulados como “flushable”, apresentam alto risco de entupimento por não se desintegrarem adequadamente.
Quando esses resíduos alcançam a rede de esgoto ou o meio ambiente, podem provocar poluição de rios e córregos, sobrecarga em estações de tratamento e riscos à qualidade da água subterrânea.
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