Mesmo preso desde o início de outubro durante a “Operação Face Oculta”, o vereador Rosinaldo Bual (Agir) continua recebendo integralmente seu salário de R$ 26 mil mensais, pagos pelos cofres públicos de Manaus. A investigação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) aponta que o parlamentar movimentou cerca de R$ 5 milhões em 2025, valor incompatível com seus rendimentos oficiais. Segundo o MP, os recursos teriam origem em um esquema de rachadinha envolvendo cerca de 50 servidores do gabinete de Bual, obrigados a devolver parte dos salários ao vereador. Durante as buscas, foram apreendidos cofres contendo R$ 390 mil em espécie, cheques e documentos.
A manutenção do pagamento ao parlamentar tem provocado indignação entre os manauaras, que denunciam a falta de igualdade e de transparência na aplicação das leis. Nas ruas, trabalhadores e estudantes expressam revolta diante do fato de um político acusado de corrupção continuar recebendo remuneração, enquanto a população enfrenta cortes de benefícios e dificuldades econômicas. “Tem gente que perde auxílio por muito menos. Direitos deveriam ser iguais”, protestou o autônomo Marcos Bucão. Outros cidadãos reforçam que o caso simboliza o distanciamento entre o poder público e a realidade do povo.
O episódio reacende o debate sobre os privilégios e garantias concedidos a agentes públicos no Brasil. Pela legislação vigente, parlamentares presos preventivamente só têm o salário suspenso mediante decisão judicial ou ato formal do Poder Legislativo — o que ainda não ocorreu no caso de Bual. Enquanto o processo segue em andamento, o vereador permanece como servidor ativo da Câmara Municipal de Manaus.
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