O comércio varejista brasileiro registrou uma queda de 1,5% em abril na comparação com o mês anterior, interrompendo a trajetória de crescimento do início do ano e marcando a retração mais intensa para o setor desde junho de 2022. De acordo com os dados divulgados pelo IBGE, o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado e foi puxado principalmente pelo recuo de 6,2% no segmento de combustíveis e lubrificantes. Apesar da queda mensal, o setor ainda apresentou uma alta de 1,0% quando comparado ao mesmo período de 2025, impulsionado por um mercado de trabalho que permanece aquecido.
A retração de abril atingiu seis das oito atividades pesquisadas pelo instituto, refletindo o peso da política monetária restritiva, com a taxa Selic em 14,5%, e o aumento global de preços decorrente dos conflitos no Oriente Médio. Além dos combustíveis, os setores de artigos de uso pessoal (-4,6%) e de equipamentos de informática e escritório (-4,5%) registraram perdas significativas, devolvendo os ganhos dos meses anteriores.
No comércio varejista ampliado, que engloba as atividades de veículos, motos, material de construção e o atacado de alimentos e bebidas, o volume de vendas também seguiu a tendência de baixa, apresentando uma redução de 0,7% em abril. Segundo os analistas do IBGE, o recuo do mês funciona como um ajuste natural após o setor ter alcançado o seu recorde histórico no primeiro trimestre. O desempenho global do varejo agora aguarda as sinalizações do Banco Central sobre os rumos da taxa básica de juros para definir o ritmo de consumo nos próximos meses.
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