A venda da participação da Axia (ex-Eletrobras) na Eletronuclear para a Âmbar Energia, do grupo J&F, segue travada devido à indefinição do governo federal. A União, representada pela ENBPar, possui direito de preferência para adquirir as ações, mas ainda não comunicou formalmente se pretende exercer essa opção. O impasse ocorre meses após a assinatura do contrato de R$ 535 milhões e da aprovação do órgão regulador (Cade).
Enquanto a mudança societária não se concretiza, a Eletronuclear enfrenta uma grave crise de liquidez, com recursos em caixa suficientes apenas até meados de março. A estatal tenta renegociar quase R$ 7 bilhões em dívidas com bancos públicos para evitar um colapso financeiro. Os custos de manutenção e juros ligados à usina de Angra 3, cujas obras estão paralisadas, consomem mais de R$ 1 bilhão por ano.
O desfecho do negócio é peça-chave para o futuro do setor nuclear no Brasil, mas depende de decisões políticas e institucionais. Além da definição sobre o novo sócio, o governo ainda precisa decidir, por meio do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), se retomará ou encerrará definitivamente o projeto de Angra 3, que exige investimentos adicionais estimados em R$ 23 bilhões para ser concluído.
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