quinta, 23 de abril de 2026
07/06/2025   08:00h - Entrevistas

Valclecia Lima, Superintendente de Desenvolvimento da FAS , fala ao ON sobre os avanços da fundação na assistência aos Povos Indígenas, ribeirinhos e periféricos da Amazônia.

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia por meio de programas e projetos nas áreas de educação e cidadania, saúde, empoderamento, pesquisa e inovação, conservação ambiental, infraestrutura comunitária, empreendedorismo e geração de renda.

 

Nos últimos anos, a FAS assistiu 21.787 famílias, beneficiando 749 comunidades, localidades e aldeias de 79 territórios (Unidades de Conservação, Terras Indígenas, sedes municipais) no Estado do Amazonas e 27 municípios, construindo soluções para o desenvolvimento sustentável por meio de programas e projetos que abordam temáticas estratégicas para a região.

 

A instituição atua com projetos voltados para educação, empreendedorismo, turismo sustentável, inovação, saúde e outras áreas prioritárias. Por meio da valorização da floresta em pé e de sua sociobiodiversidade, a FAS desenvolve trabalhos que promovem a melhoria da qualidade de vida de comunidades ribeirinhas, indígenas e periféricas da Amazônia. Para entender mais sobre o importante trabalho da Fundação, o ON Jornal conversou com a superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades, Valcléia Lima, que explicou os avanços que a Fundação conquistou recentemente. Confira.

 

ON Jornal - Quais têm sido as principais iniciativas da FAS nos últimos meses para a proteção do meio ambiente e conservação da floresta?

 

Valcléia Lima- A Fundação Amazônia Sustentável atua historicamente em 16 Unidades de Conservação no Amazonas, mas ampliou para 28 UCs, incluindo outros estados. Entre os principais destaques ao longo do último ano estão a criação da Unidade de Conservação Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia, localizada no município de Almeirim, na região oeste do Pará. Com uma área de aproximadamente 560 mil hectares, o Parque deriva de uma porção da Floresta Estadual (Flota) do Paru, que foi recategorizada com objetivo de proteção integral.

 

A iniciativa é liderada pelo Governo do Pará, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) e conta com a parceria do Instituto Federal do Amapá (IFAP), FAS e financiamento do Andes Amazon Fund (AAF).

 

ON Jornal - Que projetos recentes a FAS tem desenvolvido voltados ao fortalecimento das comunidades ribeirinhas e indígenas da Amazônia?

 

Valcléia Lima- A Fundação Amazônia Sustentável desenvolve ao longo dos seus 17 anos importantes projetos para fortalecer comunidades ribeirinhas e indígenas da Amazônia. A FAS atua em cinco eixos estratégicos: educação, saúde, sociobioeconomia, conservação ambiental e mitigação e adaptação às mudanças climáticas.

 

Entre as iniciativas destacam-se o "Repórteres da Floresta", que forma jovens em técnicas de educomunicação; o projeto Dicara, que há uma década promove ações socioeducativas; criação de Núcleos de Inovação e Educação para o Desenvolvimento Sustentável para fortalecer a educação nos territórios; entre outros. Todas essas ações reforçam o compromisso da FAS com o desenvolvimento sustentável e a melhoria da qualidade de vida na região amazônica.

 

ON Jornal - Como a Fundação tem atuado para mitigar os efeitos das mudanças climáticas na região amazônica e nas populações mais vulneráveis?

 

Valcléia Lima- A FAS direciona iniciativas que promovem a resiliência de comunidades ribeirinhas e populações periféricas e apoiam governos regionais em políticas de conservação ambiental e redução de desmatamento e queimadas. A FAS também investe em educação e informação sobre mudanças climáticas e os benefícios ambientais, sociais e econômicos associados à proteção do meio ambiente.

 

Entre as iniciativas que podemos citar está o projeto Água+Acesso, que fornece água tratada e própria para consumo direto nas torneiras das casas dos comunitários, promovendo melhoria na qualidade de vida, saúde e higiene. Em 2024, a iniciativa beneficiou 1,8 mil pessoas no estado Amazonas que foram afetadas pela seca histórica de 2023.  A fundação recebeu o troféu “Unidos pelo País que Queremos”, iniciativa da Coca-Cola Brasil que reconhece projetos de destaque na promoção de soluções concretas para os principais desafios socioambientais do país.

 

ON Jornal - A FAS tem algum programa específico voltado à promoção da saúde e bem-estar das populações tradicionais da floresta? Quais os resultados alcançados até agora?

 

Valcléia Lima- A FAS é parceira de municípios e estados na promoção da telessaúde na região amazônica, utilizando a tecnologia para melhorar o acesso a serviços de saúde em comunidades remotas. O projeto de telessaúde da FAS utiliza plataformas digitais para conectar profissionais de saúde a comunidades isoladas, permitindo consultas, diagnósticos e acompanhamentos à distância. Isso não apenas facilita o acesso a especialistas, mas também proporciona uma continuidade no cuidado, vital para o tratamento de doenças crônicas e acompanhamento médico e psicológico.

 

Em 2024, tivemos 334 teleatendimentos, formação de 37 agentes comunitários de saúde e também passamos a integrar o Conselho Estadual de Saúde.

 

ON Jornal - Como a Fundação integra o conhecimento tradicional das populações amazônicas às estratégias de desenvolvimento sustentável e conservação ambiental?

 

Valcléia Lima- Integrar o conhecimento tradicional das populações amazônicas às estratégias de desenvolvimento sustentável e conservação ambiental é um dos pilares fundamentais da atuação da Fundação Amazônia Sustentável. Acreditamos que a floresta só se mantém em pé com as pessoas vivendo bem nela, e, para isso, é essencial reconhecer, respeitar e valorizar os saberes ancestrais, as práticas produtivas tradicionais e as formas de manejo que essas populações desenvolveram ao longo de gerações.

 

Nossos programas e projetos são construídos de forma participativa, ouvindo as comunidades, aprendendo com seus modos de vida e incorporando essas práticas na busca por soluções sustentáveis que garantam a conservação dos ecossistemas e a melhoria da qualidade de vida. Essa integração fortalece a autonomia das populações tradicionais e assegura que o desenvolvimento na Amazônia ocorra de forma justa, inclusiva e alinhada com os valores culturais e ambientais do território.

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