Monday, 08 de June de 2026
14/10/2023   16:30h - Meio Ambiente

Uso de agrotóxicos no Brasil dobrou entre 2010 e 2021

Livro recém-lançado mostra que em 2021, os 26 países da União Europeia exportaram para todo o planeta um volume de quase 2 milhões de toneladas de agrotóxicos, somando 14,42 bilhões de euros. Para o Mercosul seguiram mais de 6,84 mil toneladas de agrotóxicos proibidos em território europeu. No Brasil, os campeões em vendas - mancozebe, atrazina, acefato, clorotalonil e clorpirifós - também são proibidos na Europa. No Brasil, os limites de resíduos dessas substâncias nos alimentos e na água costumam ser até milhares de vezes maiores do que aqueles permitidos na União Europeia. O tebuconazol, por exemplo, inseticida proibido na Europa, pode provocar alterações no sistema reprodutivo e malformação fetal.

 


O uso dos agrotóxicos por unidades da federação explicita a conexão direta com a produção de commodities. Mato Grosso, Rondônia, Goiás e São Paulo são os estados com maior taxa de uso por hectare, seguidos por Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. Em 2019, Mato Grosso consumiu cerca de 121 mil toneladas de ingredientes ativos de agrotóxicos; São Paulo, 92 mil toneladas; Goiás, 49 mil toneladas; e Mato Grosso do Sul, 38 mil toneladas.



“Temos observado o avanço das commodities e com ela o uso indiscriminado dos agrotóxicos com a justificação da importância da balança comercial ou da segurança alimentar. No entanto, os danos são imensuráveis, para o meio ambiente e especialmente para as pessoas. É preciso questionar quem lucra com esse sistema e quem o defende”, ressalta Larissa Bombardi, autora do livro. Segundo a autora, este é um setor que não para de crescer, junto com o aumento das liberações no Brasil. Só entre 2019 e 2022 o país liberou 2.182 agroquímicos. Até julho deste ano, o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) aprovou o registro de mais 231.

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