Os tubarões-andantes, conhecidos cientificamente como tubarões-epaulette, estão a surpreender a comunidade científica pela sua extraordinária capacidade de gerar ovos sem qualquer aumento no gasto de energia. Um estudo da Universidade James Cook revelou que, ao contrário de quase todas as outras espécies animais, estas fêmeas mantêm o metabolismo e os níveis hormonais estáveis durante todo o ciclo reprodutivo. Esta eficiência permite que produzam dois ovos a cada três semanas sem comprometer as suas funções vitais ou a sua sobrevivência individual.
Esta característica única é vista como uma vantagem adaptativa crucial num cenário de alterações climáticas. Ao manterem uma fisiologia estável mesmo durante a reprodução, estes tubarões demonstram uma resiliência biológica superior, conseguindo equilibrar a manutenção do corpo e a continuidade da espécie em ambientes de elevado stresse, como oceanos cada vez mais quentes. O estudo, publicado na revista Biology Open, desafia a ideia clássica de que a reprodução exige sempre um “custo” energético elevado que sacrifica outras funções do organismo.
Além da sua inovadora biologia reprodutiva, estes animais são famosos pela capacidade de “caminhar” sobre recifes usando as barbatanas como pernas e de sobreviver longos períodos fora de água. Estas competências, aliadas à nova descoberta sobre a sua poupança energética, posicionam o tubarão-andante como um modelo fundamental para entender como a vida marinha se pode adaptar a condições extremas.
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