Os gritos de alegria que ecoaram em um bar esportivo de Xangai após o gol do Japão contra a Suécia na Copa do Mundo contrastam fortemente com as históricas tensões geopolíticas entre a China e o país vizinho. Alheio às rivalidades, o profissional de TI Matthew Zhang, de 26 anos, vestiu a camisa azul, entoou cânticos e tirou o dia de folga para assistir à partida ao lado do pai, às 7h desta sexta-feira (26). Zhang faz parte de uma parcela de torcedores chineses que defendem a separação entre esporte e política e celebram o protagonismo asiático no torneio mundial.
Essa admiração pelo futebol vizinho reflete também o atual momento dos donos da casa, já que a seleção masculina da China não se classificou para o Mundial de 2026 e amarga a 91ª posição no ranking da Fifa, enquanto a equipe feminina ocupa o 16º lugar. "Quando assistimos aos jogos da seleção chinesa, o sentimento costuma ser de decepção. Mas, ao ver o Japão jogar, percebemos o quanto eles evoluíram. Acho muito positivo que a Ásia tenha uma equipe forte como a deles", justificou Zhang.
No entanto, o apoio à seleção japonesa está longe de ser um consenso no país, evidenciando o abismo geracional na sociedade chinesa. Para os mais velhos, as feridas do passado pesam mais do que o esporte, como explica Ding Yongchang, morador de Xangai de 60 anos: "É um pouco difícil de aceitar. O governo japonês nunca pediu desculpas formalmente nem refletiu de verdade sobre a ocupação na Segunda Guerra Mundial. Isso é algo que o povo chinês não pode perdoar".
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