O Amapá registrou um aumento de 250% na área de corpos d’água entre 1985 e 2024, segundo o estudo Amazônia Quilombola, realizado pelo Instituto Socioambiental (ISA) e pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ). O crescimento foi impulsionado principalmente pela conservação no território quilombola Lagoa do Maracá, no sul do estado, onde comunidades como Conceição e Mari mantêm práticas tradicionais de manejo e proteção da floresta. Mesmo sem o título definitivo de suas terras, os quilombolas seguem como importantes guardiões das nascentes e rios que alimentam o rio Maracá.
As lideranças locais relatam que as mudanças climáticas já afetam o cotidiano das comunidades, com o recuo de rios, aumento do calor e avanço das queimadas. Apesar disso, a resistência quilombola tem garantido a manutenção dos recursos hídricos e florestais, com ações de reflorestamento, limpeza de igarapés e conscientização ambiental.
O estudo reforça que os territórios quilombolas são fundamentais para conter o desmatamento e preservar a água, funcionando como verdadeiras barreiras ecológicas. Mesmo assim, a demora na titulação e a falta de políticas públicas adequadas expõem essas comunidades a invasões e pressões econômicas.
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