Um estudo da Unicamp publicado no periódico Geocarto International revelou que a Terra Indígena Pimentel Barbosa (TIPB), no nordeste de Mato Grosso, manteve sua cobertura vegetal e biodiversidade do Cerrado praticamente inalteradas ao longo de quatro décadas. Em contraste, a faixa de 50 quilômetros ao seu redor sofreu intensa transformação pelo avanço da pecuária, da monocultura da soja e de eixos rodoviários.
A análise histórica dividiu a transformação da região em três fases: a expansão inicial até 1995, o desmatamento acentuado até 2012 e a consolidação do uso agroindustrial a partir de 2013. Além do mapeamento por imagens de satélite, a pesquisa contou com estadias de campo na comunidade A’uw? Xavante, onde os pesquisadores promoveram oficinas de cartografia participativa. O uso de aplicativos de GPS permitiu que os próprios indígenas aprendessem a mapear e monitorar os limites de seu território contra as pressões externas.
Os autores alertam que a devastação do Cerrado no entorno compromete serviços ecossistêmicos cruciais, como a infiltração de água no solo e a regulação climática fornecida pelos “rios voadores”. O estudo reforça que a preservação da TIPB depende tanto da demarcação oficial quanto da governança tradicional dos A’uw? Xavante, para quem o Cerrado é vital tanto para a subsistência quanto para a sua cosmovisão e identidade cultural.
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