A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos foi comparada à estratégia adotada pela Rússia no início da invasão da Ucrânia, em 2022: a tentativa de derrubar rapidamente a liderança política para provocar um colapso institucional. A diferença central, segundo analistas, é que o plano russo em Kiev fracassou, enquanto a operação americana em Caracas teria sido bem-sucedida.
A Rússia reagiu com forte condenação, classificando a ação dos EUA como uma “violação inaceitável da soberania” da Venezuela e pedindo a libertação imediata de Maduro e de sua esposa. O Kremlin afirmou estar “extremamente alarmado” e o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, manifestou solidariedade ao governo venezuelano em conversa com a vice-presidente Delcy Rodríguez. Parlamentares russos também solicitaram uma reunião urgente do Conselho de Segurança da ONU.
A reação de Moscou, porém, evidencia uma contradição, já que a própria Rússia é alvo de condenação internacional por violar a soberania da Ucrânia desde 2022, quando tentou capturar ou eliminar o presidente Volodimir Zelenski para impor um novo governo. Diferentemente da Venezuela, o Estado ucraniano resistiu, o plano de ruptura rápida falhou e a guerra se prolongou, reforçando o debate global sobre intervenções externas e mudanças de regime.
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