Um novo relatório da SaferNet, ONG dedicada à promoção dos direitos humanos na internet, revelou que 1,25 milhão de usuários do Telegram estão envolvidos em grupos que comercializam e compartilham imagens de abuso sexual infantil. A pesquisa, apresentada nesta quarta-feira (23) a autoridades brasileiras e francesas, identificou 874 links denunciados, dos quais 149 ainda estavam ativos, com um dos grupos contando com 200 mil membros. O documento também aponta que alguns conteúdos são gerados por bots, que criam imagens mediante pagamento, e transações são realizadas com criptomoedas, dificultando a identificação dos criminosos.
O presidente da SaferNet, Thiago Tavares, destacou que a operação no Telegram configura uma “feira livre do crime digital”, onde não apenas a distribuição, mas também a compra e venda de imagens de abuso sexual infantil ocorre abertamente. Ele enfatizou que a divulgação, posse e comercialização de tais conteúdos são crimes segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no Brasil, e que todos os que consomem essas imagens são cúmplices das práticas de abuso.
O relatório também pede que o Ministério Público Federal (MPF) entre em contato com o Banco Central para abordar a regulação de pagamentos relacionados a redes de exploração sexual infantil. O Telegram, que tem sido alvo de críticas por sua incapacidade de controlar o conteúdo ilegal em sua plataforma, ainda não respondeu às solicitações da Agência Brasil sobre o relatório. Os usuários podem denunciar conteúdos abusivos através da SaferNet e do próprio Telegram.
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