Uma inovação desenvolvida pelo químico Omar Yaghi, laureado com o Prêmio Nobel de Química de 2025, pode revolucionar o acesso à água potável em regiões afetadas pela escassez hídrica. Sua startup, a Atoco, sediada em Irvine, na Califórnia, planeja comercializar, a partir do segundo semestre de 2026, sistemas capazes de extrair água diretamente do ar, sem necessidade de eletricidade. O foco inicial da empresa são data centers instalados em áreas de recursos hídricos limitados, que consomem grandes volumes de água para resfriamento de equipamentos, além de usinas de hidrogênio verde e comunidades atingidas por secas severas.
A tecnologia é baseada em estruturas metalorgânicas (metal-organic frameworks, ou MOFs), uma arquitetura molecular de alta porosidade desenvolvida por Yaghi na Universidade da Califórnia, em Berkeley. Esses materiais são capazes de capturar moléculas específicas do ar, como a de água, e utilizar apenas luz solar ambiente ou calor residual industrial para gerar água ultrapura. Segundo Heiner Linke, presidente do Comitê do Nobel de Química, os MOFs representam “enorme potencial, trazendo oportunidades inéditas para materiais sob medida com novas funções”.
Um protótipo da Atoco, com capacidade de produzir 200 litros de água por dia, deve ser apresentado ainda neste trimestre. A versão comercial, equivalente a um contêiner, poderá gerar até 1.000 litros diários — volume ainda distante da demanda de um grande data center, que consome cerca de 2 milhões de litros por dia. A ONU estima que metade da população mundial enfrenta algum grau de escassez de água, e 25% vivem sob estresse hídrico extremo.
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