A Terra Indígena Capoto-Jarina, no norte de Mato Grosso, tornou-se um modelo de proteção territorial ao integrar saberes tradicionais com ferramentas tecnológicas de monitoramento ambiental. A iniciativa é coordenada por Roiti Metuktire, de 35 anos, liderança jovem do povo Kayapó e neto de Raoni Metuktire, que atua no Núcleo de Gestão e Proteção Territorial do Instituto Raoni. Com sistemas robustos de vigilância, articulação comunitária e ausência de desmatamento ativo, o território é hoje reconhecido entre povos indígenas como um dos mais bem protegidos da região do Xingu.
A virada começou a partir de 2014, quando incêndios mais intensos e frequentes acenderam o alerta entre as lideranças. A partir de parcerias com organizações socioambientais, o território passou a incorporar tecnologia ao manejo tradicional, incluindo o uso do Sistema de Observação e Monitoramento da Amazônia Indígena (SOMAI), implantado em 2017 com apoio do IPAM. A ferramenta permite acompanhar desmatamento, mudanças climáticas e riscos ambientais, enquanto a ampliação do acesso à internet (hoje presente em cerca de 90% da área) fortaleceu a comunicação entre aldeias e a participação dos jovens nas decisões coletivas.
Diante dos impactos das mudanças climáticas, como os incêndios que atingiram cerca de 17% do território em 2024, as comunidades também passaram a investir em sistemas agroflorestais e brigadas de incêndio, reduzindo o uso indiscriminado do fogo e recuperando áreas degradadas.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.