Esse flagrante foi feito em setembro do ano passado e serviu para confirmar as suspeita de anos sobre o sistema prisional cearense. Ela apontava para uma possível rotina de violência contra os detentos com o uso de uma técnica de tortura bem específica: a quebra dos dedos.
“Eles usam aqui a posição chamada de ‘procedimento’. O detento se senta no chão, com pernas próximas ao corpo, e cruzar os dedos em cima da cabeça. Eles [agentes] batem com a tonfa [cassetete] nos dedos que estão cruzados em cima da cabeça. Isso provoca lesões. Dependendo da força com que se bate, provocam lesões graves, inclusive com a quebra do osso”, disse o promotor Humberto Ibiapina Lima Maia, do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc).
O pior de tudo é que essa técnica de tortura não é uma coisa vista somente no Ceará. De acordo com Segundo Bárbara Suelen Coloniese, perita do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura, ela também foi vista no Rio Grande do Norte, Roraima, Amazonas e Pará. Todos esses locais têm uma coisa em comum: a atuação da Força Tarefa de Intervenção Penitenciária (FTIP), que é como se fosse a Força Nacional para os presídios.
“Fizemos também algumas visitas em presídios federais, e a gente sabia quando os presos eram de um desses estados pelas mãos, porque tinha muita gente com os dedos quebrados. Quando a gente chamava para fazer entrevistas e via os dedos, eles contavam: ‘eu sou do Ceará’, ‘do Pará’, ‘do Amazonas’”, disse Maia.
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