A Suprema Corte da Rússia proibiu, ontem (10), o partido liberal Yabloko de participar das eleições parlamentares previstas para setembro. A decisão retira da disputa a principal legenda oficialmente registrada no país que se posiciona contra a guerra na Ucrânia. O processo foi movido pelo partido nacionalista Rodina, alinhado ao Kremlin, que acusou o Yabloko de receber apoio de campanha não declarado, inclusive de fontes estrangeiras.
O líder do Yabloko, Nikolai Rybakov, negou as acusações e afirmou que pretende recorrer da decisão. Segundo ele, a exclusão do partido representa uma restrição à liberdade de pensamento e ao debate político. Centenas de apoiadores se reuniram em frente ao tribunal durante a audiência, em uma rara manifestação pública de apoio à legenda e à sua defesa de um acordo de cessar-fogo na guerra.
A decisão ocorre em um cenário de forte controle sobre manifestações de oposição na Rússia. O Yabloko não possui representantes no Parlamento nacional, onde o partido Rússia Unida, apoiado pelo presidente Vladimir Putin, e outras legendas favoráveis ao governo devem manter a maioria após a votação de setembro. A exclusão do partido reduz ainda mais o espaço para grupos que defendem posições contrárias à guerra dentro da política institucional russa.
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