A pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), o empresário de Curitiba e ex-deputado estadual Antônio Celso Garcia, conhecido como Tony Garcia, vai depor à Polícia Federal (PF) sobre as declarações que fez contra o ex-juiz Sergio Moro.
Tony Garcia alegou que teria sido obrigado por procuradores e pelo ex-juiz federal Sergio Moro a gravar pessoas ilegalmente depois de aceitar um acordo de delação premiada, em 2004. "Eu fui um agente infiltrado deles", disse Garcia em entrevista à Folha de S. Paulo.
"Eles [procuradores] me obrigaram a andar com dois telefones deles com microfone aberto. Foi assim que eu gravei o [advogado] Roberto Bertholdo, um monte de gente, para eles. Quando eles pegavam conversas que interessavam, eles levavam ao Moro e ele esquentava as conversas. Fazia como se tivesse autorização judicial, com data retroativa."
Garcia disse que levou as supostas ilegalidades ao conhecimento da juíza federal Gabriela Hardt em 2021, mas que a magistrada não teria tomado nenhuma providência. O conteúdo teria sido encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) somente em abril deste ano por decisão do juiz Eduardo Appio.
Hardt, por sua vez, entrou com uma representação criminal contra Tony Garcia por crime contra a honra. A juíza também deixou o caso ao se declarar suspeita para julgar os casos em que o delator é parte.
Tony Garcia foi preso pela Polícia Federal em 2004, sob a acusação de gestão fraudulenta do Consórcio Nacional Garibaldi. No mesmo ano, o empresário assinou o acordo de delação premiada.
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