quarta, 21 de outubro de 2026
25/09/2026   13:40h - Meio Ambiente

Super El Niño pode matar mais de 450 mil no mundo; Brasil seria o 5º mais afetado

Cientistas de universidades americanas estimam que mais de 450 mil pessoas podem morrer em decorrência do calor provocado pelo super El Niño nos próximos seis meses. Segundo relatório do Climate Impact Lab, elaborado por pesquisadores das universidades de Chicago e Berkeley, seriam 451 mil mortes relacionadas ao calor entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027, acima do esperado em um ano normal. O Brasil aparece como o quinto país mais atingido, com cerca de 13,3 mil mortes adicionais 8 mil delas concentradas entre dezembro e fevereiro.

O estudo toma como referência a média de 1996 a 2025 e projeta temperaturas médias globais sobre as áreas terrestres 1,2 °C acima do normal, com 44% mais dias de calor extremo do que em um ano típico. O El Niño começou em junho e deve continuar pelo menos até o primeiro semestre de 2027. Os países com maior número estimado de mortes são Nigéria (31,4 mil), Indonésia (19,3 mil), Sudão (17,5 mil) e Índia (15,8 mil), todos à frente do Brasil.                           

As regiões mais afetadas estão concentradas no chamado Sul Global. No Sahel africano, são projetadas 66,8 mil mortes adicionais, quase metade na Nigéria. No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja podem somar outras 19,4 mil mortes acima do normal. O pico de impacto varia conforme o país: na Nigéria e na Indonésia, as maiores estimativas aparecem entre dezembro e fevereiro, mesmo período que concentra as projeções de 8 mil mortes no Brasil e 7,4 mil na Índia.

Para os pesquisadores, o El Niño funciona como uma antecipação do clima que se tornará comum em cerca de 20 anos com o avanço das mudanças climáticas, expondo a população a temperaturas para as quais muitas regiões ainda não se adaptaram. O cálculo usou relações entre temperatura e mortalidade em 24.378 regiões do mundo, com previsões do sistema europeu ECMWF SEAS5, comparadas à média de mortes entre 1996 e 2025. A estimativa de 451 mil representa óbitos adicionais em relação a um ano normal, e o número pode crescer caso o calor acima da média persista após fevereiro de 2027.

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