Os eleitores da Suíça rejeitaram em referendo uma iniciativa popular que buscava inscrever regras rígidas e restritivas de neutralidade na Constituição do país. A proposta, impulsionada por setores da direita conservadora e pelo Partido do Povo Suíço (SVP), visava proibir a participação da nação em sanções econômicas não universais, como as aplicadas contra a Rússia, e barrar o aprofundamento da cooperação militar de defesa com organizações internacionais, como a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e a União Europeia.
O resultado do plebiscito consolida a posição do Conselho Federal e do Parlamento suíço, que defenderam ativamente o voto contra a medida. A avaliação das autoridades e de partidos de centro e de esquerda era de que o engessamento constitucional da neutralidade comprometeria a capacidade diplomática do país, isolando Berna na arena internacional e fragilizando a política de segurança nacional em um momento de crescentes tensões geopolíticas no continente europeu.
Com a vitória do "não", o governo mantém a flexibilidade para aderir a sanções multilaterais alinhadas aos seus interesses estratégicos e éticos, além de assegurar a continuidade de exercícios militares conjuntos, intercâmbio de inteligência e acordos de interoperabilidade com aliados do Ocidente. A votação reafirma o modelo suíço de "neutralidade cooperativa", permitindo ao país preservar suas tradições diplomáticas sem renunciar à coordenação de segurança e à defesa coletiva com parceiros regionais.
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