Um novo estudo sugere que o Sol pode ter incorporado um planeta durante os primeiros estágios de formação do Sistema Solar. A hipótese foi apresentada pelo astrofísico Mutlu Yildiz, da Universidade Ege, na Turquia, que investigou se a presença de restos de um planeta no interior da estrela poderia explicar algumas características incomuns observadas atualmente no Sol.
Uma das principais questões analisadas pelos pesquisadores é a baixa quantidade de lítio encontrada nas camadas externas do Sol. Os modelos indicam que a nebulosa da qual a estrela se formou teria uma concentração desse elemento muito maior do que a observada hoje. Outro mistério está relacionado à velocidade do som na região inferior da zona de convecção solar, que apresenta diferenças em relação ao que os modelos tradicionais preveem.
Para testar uma possível explicação, Yildiz simulou diferentes cenários envolvendo planetas de vários tamanhos e composições. Um dos modelos que apresentou resultados compatíveis com algumas características observadas no interior do Sol envolvia a absorção de uma super-Terra com aproximadamente 5,6 vezes a massa do nosso planeta. Segundo a hipótese, o corpo teria se formado em uma região próxima ao Sol e, após migrar de sua órbita, acabou sendo atraído para dentro da estrela ainda jovem.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que o estudo não comprova que o Sol tenha engolido um planeta. A hipótese apenas oferece uma possível explicação para diferenças observadas entre os modelos solares e os dados obtidos por observações. A equipe acredita que futuras pesquisas poderão procurar marcas químicas e estruturais no interior da estrela que ajudem a confirmar ou descartar a possibilidade de um antigo evento de engolfamento planetário.
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