quinta, 23 de abril de 2026
23/09/2023   08:00h - Entrevistas

Setembro Amarelo: Dra. Aline Pontes, especialista, alerta sobre preconceito envolvendo saúde mental

Setembro Amarelo, mês de conscientização sobre a importância da prevenção do suicídio. A campanha surgiu com o intuito de quebrar tabus, reduzir estigmas, estimular que as pessoas busquem e ofereçam ajuda.

 

De acordo com a última pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), são registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo, sem contar com os episódios subnotificados, pois com isso, estima-se mais de 01 milhão de casos. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas cometem suicídio por dia.

 

Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e do abuso de substâncias.

 

Para abordar o tema Setembro Amarelo, nesta reportagem, entrevistamos a psicóloga, Dra. Aline Jaoudi Pontes. Confira

 

ON Jornal- Nós temos uns dados do Ministério da Saúde a cima, são dados preocupantes. Você pode comentar sobre estas estatísticas?

 

Dra. Aline Pontes- No Brasil 1 pessoa comete suicídio a cada 45 minutos. É o terceiro maior caso de morte entre pessoas de 15 a 45 anos.

 

Entre os anos de 2019 a 2021 foram registrados na capital 270 suicídios, já o interior apresenta 79 mortes, totalizando 349 casos no estado do Amazonas nos últimos três anos, um aumento muito significativo para o nosso estado.

 

Os casos de suicídios tiveram um aumento significativo após a pandemia.

 

ON Jornal- Os transtornos mentais ainda são vistos como um grande tabu, doutora Aline. Mesmo com os grandes números de pessoas com ansiedade depressão, ainda assim, o preconceito na saúde mental persiste na sociedade?

 

Dra. Aline Pontes- Esse tabu só prejudica porque as pessoas que já vivem uma sociedade preconceituosa, se sente constrangida em pedir ajuda. Falar de suicídio é uma das maiores formas de prevenção, pois só assim criamos um ambiente com menos preconceito e mais favorável para trocar ideias e deixar as pessoas a vontade para pedirem ajuda e esclarecerem o que se tem ou sente. Porque quanto mais se fala mais você consegue dizer para as pessoas que se elas sentem alguma coisa, uma falta de esperança, a gente tá tirando um pouco desse preconceito de que com a pessoa está desperançosa é falta de Deus, que ela tá sendo fraca, que não tem força para lhe dar, que não é exemplo de nada. Então, a melhor forma de você ajudar alguém é falar sobre o assunto e ser empático, temos que reforçar a importância de buscar ajuda de profissionais, como psicólogos, psiquiatras, médicos de saúde mental. Porque a pessoas ela não sente mais esperança, ela acha que ninguém vai poder ajuda-la.

 

ON Jornal- As pessoas ainda confundem ansiedade com depressão. Poderia informar mais detalhado cada um?

 

Dra. Aline Pontes- Elas são completamente diferentes. Os transtornos de ansiedade se caracterizam por uma preocupação constante e patológica com ou sem foco definido. Já a depressão se caracteriza por tristeza intensa e constante, desinteresse em atividades que costumava gostar, sensação de incapacidade e desesperança.

 

ON Jornal- Como chegar em uma pessoa que suspeitamos estar em um estado depressivo ou ansiedade?

 

Aline Pontes-Primeiramente perguntando se a pessoa está precisando de ajuda. Se percebemos que ela está triste, estranha, introvertida, se observar algum comportamento estranho. Você pode chegar até ela e perguntar se está precisando de ajuda, estou aqui pra te ouvir, apoiar, acolher e não te julgar. Então, a primeira coisa é dar conforto e acolhimento para essa pessoa, dizer para ela que você está lá, se precisar de você diga de verdade, de uma forma bem empática.

 

Por exemplo, “Tô te achando distante, você tá muito triste, diferente. Você tá precisando de ajuda? Uma vez já me senti assim e uma pessoa veio me dizer, que se eu precisasse, eu podia contar com ela. E, eu conseguir achar nela um conforto e acolhimento, me senti muito melhor. Então, eu quero ser essa pessoa pra você, como alguém já foi pra mim”. Essa uma das formas de você ser empático, mas não invasivo.

 

ON Jornal - Ajuda: A gente sabe que nem todos tem um recurso financeiro para custear uma consulta com psicólogo e psiquiatra, fazer terapias.  Tem algum meio de fazer esse tratamento mais acessível, ou até de graça?

 

Dra. Aline Pontes-Tem um contato que o 188, que o Centro de Valorização da Vida (CVV, que pode entrar em contato quando você estiver desesperado, pensando em tirar a sua vida. É um atendimento gratuito. Também existem locais do governo, onde todos podem ter acesso ao atendimento psiquiátricos e psicológicos de graça. E também tem os atendimentos psicológicos das Universidades, onde estagiários do último ano realizam.

 

ON Jornal - Hoje a ansiedade está ao nosso derredor, são crianças, adolescentes, jovens e adultos. Qual sua análise para este tempo tão difícil que as pessoas muitas vezes não sabem o que fazer?

 

Dra. Aline Pontes-A ansiedade faz parte de nós. A gente fala de ansiedade de como se ela fosse uma coisa sobrenatural. Não, todos nós emos. Nós somos pessoas que quando não conhecemos algo, ficamos ansiosos, com medo, preocupados com o que virá. Isso faz parte da vida do ser humano.  O que eu percebo hoje em dia, é que as pessoas tem baixa tolerância a lidar com situações que elas desconhecem, e percebo que o mundo também tá muito mais estável e incerto, o que causa mais sentimentos ansiosos, economia, muitas guerras, as pandemias, problemas climáticos, cada vez mais as informações são mais precisas, a gente tem acesso a muitas informações e isso causa muita ansiedade generalizada. A gente vive num mundo hostil (ameaçador, agressivo) e aí por isso vem o medo. Mas, temos que definir o seguinte a ansiedade é normal, todo mundo tem. Como é que ela começa ser prejudicial? Quando te paralisa, aí sim ela é prejudicial. E você deve buscar ajuda de um profissional.

 

ON Jornal - A ansiedade e depressão tem cura?

 

Dra. Aline Pontes-A ansiedade não tem cura, porque nós somos seres que temos ansiedade dentro de nós. Tratamento para minimizar os sintomas da ansiedade prejudicial, que paralisa. Usamos o tratamento psicoterápico, com psicólogos e psiquiatras. Depressão idem, tem tratamento, porque existem depressões que são genéticas e tem depressões que são causadas por lutos, ou situações traumatizantes que a pessoa passou na vida e te as que passaram por situações traumatizantes e tem fatores genéticos. Ou seja, não é uma cura é um tratamento para que minimize os sintomas e a pessoa tenha qualidade de vida.

 

ON Jornal- Existem casos onde a pessoa dá todos os indícios de uma possível depressão, mas a pessoa recebe chacota no trabalho, na escola e até a família não entende e acaba findando sua vida. Como ajudar e prevenir o suicídio?

 

Dra. Aline Pontes- Pede ajuda de quem confia. Falar sobre e a melhor forma!

 

ON Jornal- Valorizar a vida é preciso, como manter a mente em equilíbrio em meio ao caos?

 

Aline Pontes- Existem algumas formas: buscar ajuda profissional com psicólogo, psiquiatra ou algum profissional da área capacitado. Fazer atividades simples que te tragam alegria. Fortalecer sua rede de apoio. Manter o máximo de relações saudáveis em sua volta. Desabafar com quem confia.

 

ON Jornal - Ansiedade, Falar sobre este tema é importante e urgente: está entre as 10 causas mais frequentes de afastamento do trabalho, com um aumento de 17% nos casos registrados nos últimos 4 anos. Quando devo procurar ajuda?

 

Dra. Aline Pontes- Quando a ansiedade começar a te paralisar, quando você deixa de fazer coisas por medo. Você começa a sentir sintomas físicos que aparecem de forma constante.

 

ON Jornal - Deixe um alerta para as pessoas que infelizmente não acreditam que ansiedade e depressão não é frescura.

 

Dra. Aline Pontes- Depressão não é frescura! Ansiedade não é frescura! Ambos não são falta de Deus, nem formas de chamar atenção! Não são sinônimos de fraqueza! São transtornos que precisam de cuidados como qualquer problema de saúde. Pedir ajuda é um ato de coragem!

 

ON Jornal - Suas considerações finais, doutora Aline Jaoudi Pontes!

 

Dra. Aline Pontes- Peça ajuda!  Não tenha medo nem vergonha de ser quem você é! Sua vida vale muito! Qualquer dúvida entre no www.setembroamarelo.com.br

 

 

 

O On Jornal reforça que em todos os meses é preciso sim buscar ajuda, não somente no Setembro amarelo. O tema deste ano da campanha é “Se precisar, peça ajuda!”. Se ao seu lado tem alguém passando por um transtorno mental, ajude! Nós juntos podemos fazer a diferença e construir uma nação mais bem preparada na prevenção do suicídio.

 

Para as pessoas que querem e precisam conversar, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional e prevenção do suicídio por meio do telefone 188, além das opções chat e e-mail.

Por Eriana Monteiro

 

  

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