Até mesmo as menores nações do planeta podem ter o grande sonho de disputar uma Copa do Mundo, como a que acontece daqui a poucos dias. Só que o caso das Ilhas Kiribati é diferente. Ainda muito distante de transformar isso em realidade, a seleção local luta contra o tempo e faz uma súplica para conseguir a classificação antes que o país desapareça do mapa. O Kiribati fica no meio do Oceano Pacífico. Um país arquipélago, ou seja, composto por um conjunto de ilhas. Neste caso são 33. A maioria (21) é desabitada, mas a principal, Tarawa do Sul, sofre de superpopulação. As Ilhas Kiribati costumam ser a primeira nação da Terra a celebrar o Ano Novo, dada a sua localização no planeta e o fuso horário.
Só que a calmaria de águas claras, atóis de coral e areia branca de Kiribati é ameaçada pela elevação do nível do oceano. Por causa das mudanças do clima, provocadas pelo homem, o país corre o risco de ser engolido pelo mar, seu ponto mais alto é de apenas 81 metros. O mesmo acontece com outras nações da região do Pacífico, que já são afetadas por enchentes, erosão do solo e deslocamentos forçados. As temperaturas nos mares de lá estão subindo muito mais rápido do que as médias globais, de acordo com dados da ONU. Kiribati pode ser tomado pelo oceano em 10 ou 15 anos, deixando mais de 100 mil pessoas sem ter onde viver. Diante desse cenário de futuro incerto, em que a Copa do Mundo de 2030 pode ser a última chance das Ilhas Kiribati celebrarem o futebol como uma nação, a federação de futebol do país (KIFF) fez um apelo à comunidade internacional. Convidou dirigentes, técnicos e ex-jogadores de todo o mundo a ajudarem no desenvolvimento do esporte por lá, e assim constituir uma comissão técnica capaz de classificar Kiribati ao torneio daqui a quatro anos. Para 2026, não há mais tempo.
"O aumento do nível do mar já está afetando a vida cotidiana em Kiribati. Muitos campos estão localizados a apenas alguns metros do nível do mar. Estamos enfrentando um fantasma. Erosão se tornou cada vez mais comum. Além de infraestrutura, as mudanças climáticas estão afetando a moradia das pessoas, que são obrigadas a se mudar. Em Kiribati, o futebol é mais do que esporte. É uma forma da comunidade se manter conectada, compartilhar uma causa, ter identidade", contou Eriati Reebo, presidente da federação de futebol do país.
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