Seis anos após operações policiais marcadas por denúncias de mortes e violações de direitos humanos, comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia buscam justiça e reparação em uma audiência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), marcada para esta quarta-feira (28), na Cidade do Panamá. O encontro integra o 197º período de sessões da Comissão e vai discutir padrões de atuação policial em vilas e comunidades da Amazônia brasileira.
A audiência abordará dois casos ocorridos em agosto de 2020: o massacre nos rios Abacaxis e Mari-Mari, no Amazonas, e a morte de quatro indígenas do povo Chiquitano durante uma ação de agentes do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), em Mato Grosso. As comunidades e organizações de direitos humanos denunciam mortes, tortura, desaparecimentos, ameaças e invasões de domicílios. Os casos também envolvem cobranças por investigação e responsabilização dos agentes apontados nas denúncias.
No caso do Amazonas, processos criminais ainda aguardam julgamento, enquanto decisões judiciais de setembro de 2026 determinaram indenizações a familiares de vítimas, além de pensões mensais e pedidos públicos de desculpas. As decisões ainda podem ser contestadas. A audiência pretende apresentar à CIDH os impactos das operações sobre os povos indígenas e comunidades tradicionais, além das dificuldades enfrentadas para garantir acesso à Justiça.
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