A seca severa que atinge a Amazônia está produzindo uma tragédia humana e ambiental na região - e a situação pode se agravar ainda mais por conta de uma combinação climática perversa.
O aquecimento anormal do Oceano Atlântico antecipou o início da estação seca, produzindo uma estiagem extrema que está secando alguns dos principais rios amazônicos em um ritmo inédito, multiplicando queimadas e aumentando as temperaturas acima do normal. A estiagem é mais grave na Amazônia Ocidental, que compreende os estados do Acre, Rondônia, Roraima e Amazonas.
Ao mesmo tempo, o forte El Niño previsto para este ano deve se intensificar a partir de meados de outubro, agravando e prolongando os efeitos da seca, que tendem a se alastrar por outras partes do bioma. Se o aquecimento anômalo do Atlântico permanecer, segundo os especialistas, a seca extrema na Amazônia poderá se prolongar até a metade de 2024.
De acordo com o diretor de Conservação e Restauração do WWF-Brasil, Edegar de Oliveira, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) tem alertado há anos para o aumento da frequência de eventos extremos como a seca que assola a Amazônia.
"A combinação de mudanças climáticas e desmatamento desenfreado contribui para o agravamento e prolongamento da seca, que, por sua vez, leva ao aumento das queimadas, o que tende a exacerbar ainda mais os efeitos da estiagem, afetando o regime de chuvas. Isso impacta não apenas na vida dos povos locais, mas também a economia e a segurança hídrica de outras regiões, pois o que acontece na Amazônia interfere nos demais biomas”, explica.
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