O Jornal Folha de São Paulo, fez um alerta nesta semana, sobre a realidade na aldeia Nova Esperança do Arauiri, da Terra Indígena (TI) Bará/Boarazinho, da Ilha do Panamin, em Tefé-AM, que vive isolada. De acordo com a reportagem que foi ao local, o igarapé Paranã do Arauiri virou um estreito curso d'água, com água parada, aquecida, enlameada e fétida. As embarcações não alcançam mais o Solimões. Para chegar à aldeia é preciso percorrer dois quilômetros por uma trilha improvisada diante da sequidão do igarapé.
Segundo o jornal, a Nova Esperança vive um crônico problema de falta d'água. Até um mês atrás, a comunidade não tinha alternativa senão usar a água barrenta do igarapé. O resultado foi uma "pandemia" -palavra usada pelo cacique Cláudio Cavalcante, 44- de diarreia, vômito, febre e dor de estômago, especialmente entre as crianças.
A instalação de placas solares no mês passado permitiu o bombeamento de água de um lago próximo, mas a qualidade segue ruim. Segundo o cacique, não houve capacitação para que as famílias pudessem tratar e filtrar a água, que também é captada das esparsas chuvas na estiagem.
Os problemas de saúde decorrentes do consumo dessa água prosseguem. Quando a reportagem da Folha esteve na comunidade, quatro pessoas estavam doentes, com diarreia. Procurados, o governo do Amazonas, a prefeitura de Tefé e a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) não responderam até a publicação desta reportagem. A Defesa Civil levou água potável às 17 famílias kokamas de Nova Esperança, mas em quantidade insuficiente.
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