No coração do Pelourinho, território consagrado do samba-reggae e do axé, um sobrado enfeitado por fitas de São João se prepara para dar vez a outro ritmo. É ali, na Casa do Forró, sede da Associação Cultural Asa Branca dos Forrozeiros da Bahia, que será inaugurada a primeira escola pública de forró tradicional, ou pé-de-serra, em Salvador.
A abertura está marcada para o dia 14 de julho, e a idealizadora da iniciativa é Marizete Nascimento, 77, contadora aposentada e uma das principais articuladoras do movimento forrozeiro na capital. "Esse forró de cara com cara, barriga com barriga está ameaçado de desaparecer, mas a gente tá de olho, fazendo ações para preservar essa cultura", diz ela.
A escola vai oferecer aulas práticas de sanfona, zabumba, triângulo e pandeiro para 32 alunos, divididos entre turmas de acordeon e percussão. As aulas serão conduzidas por quatro professores, com foco na valorização do forró de raiz.
Já na turma inaugural, as vagas se esgotaram. Foram 16 para acordeon e 16 para percussão, preenchidas por pessoas de diferentes perfis, a maioria com mais de 40 anos.
Apesar da gratuidade, a associação estimula que os alunos se tornem sócios e contribuam com uma mensalidade simbólica de R$ 30, usada para ajudar na manutenção do espaço. Para se inscrever na escola, no entanto, não há exigência de pagamento nem de experiência musical prévia. "O requisito é só um: gostar de forró de verdade", diz Marizete.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.