O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, enfrenta dificuldades para avançar com um pacote de reformas econômicas diante da fragmentação de sua base política e da resistência da oposição. O governo pretende apresentar ao Congresso uma Lei de Investimentos para atrair empresas privadas e estimular investimentos. Também estão previstas mudanças nos setores de energia e mineração, com redução do controle estatal e maior participação do setor privado, em contraste com as políticas adotadas durante os governos do ex-presidente Evo Morales.
As medidas fazem parte dos esforços para recuperar a economia boliviana, afetada pela queda na produção de gás natural, pelas reservas cambiais quase esgotadas e por elevados déficits fiscais. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia deverá encolher 3,3% em 2026. O governo também busca implementar um acordo de três anos com o FMI, no valor de US$ 1,9 bilhão, que ainda depende de aprovação e pode ajudar a desbloquear pelo menos US$ 5 bilhões em financiamentos multilaterais.
O avanço das reformas será um teste para a força política de Paz. O Congresso permanece fragmentado entre seis blocos de centro-direita, enquanto a coalizão governista apresenta sinais de enfraquecimento. As dificuldades se somam aos protestos provocados pela redução de gastos públicos e pela retirada de subsídios aos combustíveis. Parlamentares de esquerda criticam o acordo com o FMI e temem medidas de austeridade, enquanto setores da oposição cobram transparência sobre o financiamento.
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