quinta, 23 de abril de 2026
11/04/2026   08:00h - Entrevistas

Ricardo Ducco: Diretor do grupo DBS fala ao ONJornal.com sobre o plano de fabricar 15 mil motos elétricas e a combustão em parceria com a Startup VAMMO na Zona Franca de Manaus

Em um marco histórico para a mobilidade sustentável no Brasil, o Grupo DBS, referência nacional em inovação e mobilidade elétrica, anuncia a expansão de suas operações industriais na Zona Franca de Manaus (AM), em parceria estratégica com a Vammo, startup de tecnologia especializada no aluguel de motos elétricas. A iniciativa permitirá atingir uma produção recorde de 15 mil motos elétricas em 2026, o maior volume já registrado no país.

 

Como parte do plano de crescimento, o Grupo DBS implantará uma segunda planta industrial de 4.000 m² na Zona Franca de Manaus. A unidade atual, com 1.500 m², continuará responsável pela fabricação de bicicletas e ciclomotores elétricos, enquanto a nova planta concentrará a linha de motocicletas, incluindo modelos elétricos e, também, a combustão. O processo de ampliação industrial ocorrerá de forma gradual ao longo do primeiro semestre de 2026.

 

O ON Jornal, conversou com o diretor do Grupo DBS, que explicou os planos do projeto considerado ousado, e que promete dar mais protagonismo à região na fabricação de duas rodas. Confira.

 

ON Jornal — O Grupo DBS projeta uma produção recorde de 15 mil motos elétricas para 2026. Como a nova planta de 4.000 m² foi desenhada para absorver esse volume e quais são os principais desafios logísticos para operar essa escala dentro da Zona Franca de Manaus?

 

Ricardo Ducco – A nova planta de 4.000 m² foi projetada com uma separação clara de linhas de produção: motos elétricas, motos a combustão e bicicletas elétricas operando de forma independente e escalonada. Esse desenho modular nos permite iniciar cada linha em momentos distintos, elétrica em abril, combustão em maio, bicicletas elétricas também em maio, sem comprometer o ritmo de nenhuma delas. Em termos logísticos, a Zona Franca de Manaus nos oferece vantagens tributárias muito relevantes, mas também exige uma gestão de supply chain bastante criteriosa, especialmente no que diz respeito ao fluxo de componentes de baterias e eletrônica embarcada. Nosso maior desafio é garantir regularidade no abastecimento de insumos importados dentro dos benefícios do regime aduaneiro especial, e para isso estamos investindo em planejamento de demanda com horizonte mais longo e parcerias logísticas consolidadas com operadores especializados na ZFM.

 

ON Jornal — O investimento de R$ 300 milhões da Vammo é focado em infraestrutura de baterias. Como a engenharia da DBS está colaborando no desenvolvimento desses novos modelos para garantir que as motos fabricadas em Manaus sejam perfeitamente integradas ao sistema de troca rápida (swapping) da startup?

 

Ricardo Ducco – A Vammo é um cliente estratégico para o Grupo DBS, e é justamente por isso que nossa engenharia se dedicou a entender profundamente as necessidades operacionais deles. Nossa atuação foi focada em otimizar o processo produtivo e a logística de entrega para garantir que os volumes crescentes sejam absorvidos com qualidade e agilidade. Com mais de 5.000 motos da Vammo já em operação e centenas de estações de troca de baterias ativas, a escala exige que nossa linha de produção seja precisa e consistente. Trabalhamos para que cada moto que sai da nossa fábrica em Manaus chegue ao cliente dentro dos padrões que o modelo de negócio deles exige, o que é um desafio industrial relevante quando falamos em 15 mil unidades para 2026.

 

ON Jornal — A DBS ultrapassou marcas históricas como Suzuki e Harley-Davidson no ranking da Fenabrave. Qual é a estratégia para manter esse crescimento acelerado e, ao mesmo tempo, equilibrar o portfólio entre as motos elétricas (onde são líderes) e a nova linha de motos a combustão?

 

Ricardo Ducco – Superar marcas como Suzuki e Harley-Davidson no ranking da Fenabrave em apenas um ano é um resultado que nos orgulha muito, mas que também nos impõe responsabilidade. A estratégia para sustentar esse crescimento passa por dois vetores. No elétrico, onde somos líderes com 28,25% dos emplacamentos em 2024, continuamos fortalecendo nossa parceria com a Vammo, que com seu modelo de assinatura democratiza o acesso e cria uma base de uso recorrente muito consistente. No segmento a combustão, estamos entrando de forma calculada, com produtos voltados a nichos específicos do mercado que ainda não foram plenamente atendidos por elétricos, seja por autonomia, seja por perfil de uso. O portfólio equilibrado nos dá presença em toda a curva do mercado, sem abrir mão do posicionamento de inovação que nos trouxe até aqui.

 

ON Jornal — Além da produção de veículos limpos, a expansão prevê chegar a 200 colaboradores. Como o Grupo DBS planeja qualificar a mão de obra local para lidar com as tecnologias específicas, reforçando o papel social da empresa na região?

 

Ricardo Ducco – Chegar a 200 colaboradores não é apenas uma meta operacional, é um compromisso com a região. Manaus tem uma mão de obra com histórico industrial consolidado, especialmente no polo eletroeletrônico, o que facilita a capacitação técnica para trabalhar com sistemas elétricos embarcados, montagem de baterias e automação de linha. Nosso plano prevê um programa estruturado de formação técnica em parceria com instituições locais, focado nas especificidades de veículos elétricos, que têm uma lógica de montagem e manutenção bastante diferente dos modelos a combustão. Queremos que os trabalhadores da nossa fábrica sejam referência técnica no setor e que essa expansão gere impacto real e duradouro para as famílias da região amazônica.

 

ON Jornal — O modelo de negócio baseado em assinatura e manutenção inclusa tem transformado a rotina dos entregadores. Na sua visão, esse modelo de serviço pode ser o caminho definitivo para a popularização dos veículos elétricos em massa no Brasil?

 

Ricardo Ducco – Esse modelo é uma estratégia da Vammo e eles estão executando muito bem. O que posso dizer é que acreditamos muito nessa abordagem, especialmente para motos elétricas, onde as vantagens são ainda mais evidentes. O maior obstáculo à adoção em massa de veículos elétricos no Brasil não é a tecnologia, é o custo de entrada. O modelo de assinatura elimina essa barreira: o entregador acessa o veículo pagando uma mensalidade acessível, já com manutenção e seguro inclusos, sem se preocupar com bateria, pane ou revisão. Isso transforma o elétrico em uma decisão financeiramente óbvia para quem usa o veículo como ferramenta de trabalho. E à medida que a escala aumenta, o custo por unidade cai, tornando tudo ainda mais competitivo. O Brasil tem condições reais de ser um dos maiores mercados de motos elétricas do mundo, com a cultura do delivery, a necessidade de mobilidade urbana acessível e a infraestrutura de swapping se desenvolvendo em ritmo acelerado.

 

Sobre o Grupo DBS

 

O Grupo DBS é líder na montagem de veículos de duas rodas no Brasil, unindo inovação, sustentabilidade e tecnologia de ponta. Com um portfólio diversificado de marcas e uma estrutura industrial de excelência, o grupo se destaca por oferecer veículos com alto desempenho, eficiência e design inovador.

 

Mais informações: https://dbsgroup.com.br

Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.