Monday, 08 de June de 2026
17/03/2025   09:00h - Política Internacional

República Democrática do Congo aceita negociar com rebeldes do M23 após meses de impasse

Após meses de recusa, a República Democrática do Congo (RDC) aceitou negociar diretamente com o grupo rebelde M23 em um encontro mediado por Angola. A reunião, marcada para 18 de março, busca encontrar uma solução para o conflito que já deixou milhares de mortos e agravou a crise humanitária no leste do país. O presidente angolano João Lourenço, que tem liderado esforços diplomáticos, celebrou a decisão como um passo essencial para a pacificação da região.

 

A resistência da RDC ao diálogo se deve à acusação de que o verdadeiro agressor não seria o M23, mas sim Ruanda, que supostamente apoia os rebeldes – algo que Kigali nega veementemente. A tensão aumentou após o M23 tomar o controle da estratégica cidade de Goma, em janeiro, intensificando os combates e elevando o número de vítimas. De acordo com a primeira-ministra congolense, Judith Suminwa Tuluka, cerca de sete mil pessoas morreram apenas nos últimos dois meses, embora os números ainda não tenham sido confirmados por fontes independentes.

 

O M23, por sua vez, nega as acusações de ataques contra civis e jornalistas, afirmando que defende a liberdade de imprensa e que está aberto ao contato com a mídia. No entanto, organizações internacionais, como a Human Rights Watch, denunciam graves violações de direitos humanos cometidas pelo grupo, aumentando a pressão sobre as negociações. Com a primeira conversa direta entre as partes prestes a acontecer, a comunidade internacional observa atentamente se o encontro poderá realmente abrir caminho para um cessar-fogo duradouro ou apenas prolongar a instabilidade na região.

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