quinta, 23 de abril de 2026
21/09/2024   08:00h - Entrevistas

RENATO ZIMMERMANN Ambientalista, fala ao ONjornal.com sobre as mudanças climáticas e seus efeitos negativos para a futura Geração

O aquecimento global é o aumento anormal da temperatura média do planeta registrado nos últimos anos. Esse fenômeno está diretamente relacionado às ações antrópicas (atividades do homem).

 

Estimativa da ONU é a de que a temperatura média da Terra possa aumentar 3ºC em relação a hoje até 2100. O aquecimento global prosseguiria sem impedimento. Cerca de 50 grandes países sumiriam do mapa. Efetivamente tirando o acesso a pelo menos 10% das terras necessárias para as pessoas viverem.


O aquecimento global tem diversas consequências, entre elas: Derretimento das calotas polares e das geleiras, o que aumenta o nível dos oceanos; Acidificação dos oceanos; Perda de biodiversidade e extinção de espécies; Desequilíbrio de ecossistemas; Diminuição de recursos naturais; Problemas na produção agrícola; Impactos econômicos e outros prejuízos globais.

 

Mas afinal, o que precisa ser feito para que essa realidade mude, e possamos continuar usufruindo dos benefícios naturais que o nosso planeta nos dá?

 

O ON jornal, conversou com exclusividade com o mentor e ativista, Renato Zimmermann, que explica a gravidade do atual cenário no mundo, o que precisa ser feito AGORA e alerta, e como a humanidade pode minimizar os impactos das mudanças climáticas. Confira.

 

ON Jornal – Primeiramente, qual seu campo de atuação? E como seu trabalho ajuda na conscientização ambiental?

 

Renato Zimmermann- Sou um ativista de sustentabilidade.  Meu trabalho é voluntário e sem fins econômicos.  Eu busco alertar as pessoas sobre os riscos que a humanidade está correndo com os eventos climáticos extremos e também apresento algumas possíveis soluções para eliminar os gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global e que é produzido pelas atividades humanas.

 

ON Jornal – Como conscientizar as pessoas da gravidade do atual cenário climático?

 

Renato Zimmermann-  As pessoas estão assustadas por conta de tudo o que estão vendo na tele jornalismo e também sofrendo em suas próprias vidas.  Porém muito acreditam que isto é obra da natureza e que tudo irá passar.  Isto não é verdade, os efeitos do aquecimento global sobre o clima já haviam alerta a muitas décadas atrás.  As pessoas precisam se preocupar também com as consequências na economia e na saúde e principalmente nas futuras gerações que habitarão nosso planeta.  

 

ON Jornal – Os governantes e instituições globais já tem planos concretos para enfrentar as mudanças climáticas? Ou ainda falta mais comprometimento?

 

Renato Zimmermann- Existem planos concretos, a ONU vem organizando anualmente a Convenção das Parte (COP) onde todos os países do planeta são chamados para assumir metas de redução dos gases e também a promoverem compromissos sócios ambientais.  A dificuldade é que as nações se resguardam pois fica evidente que o modo de vida atual já não é mais sustentável e que muita coisa precisará mudar.  As nações como China e EUA são responsáveis por 50% de toda a poluição do planeta, e são justamente eles que não querem assumir metas mais agressivas justamente por conta do receio que isto irá afetar as suas economias.

 

ON Jornal – Por que a transição energética pode ser uma solução para as mudanças do clima?

 

Renato Zimmermann- A transição energética é a substituição de fontes poluentes como a gasolina, o diesel, o gás e o carvão e no lugar utilizar fontes limpas e renováveis como a energia do sol, da água e do vento.  No Brasil temos um desafio que é substituir toda a frota de carros, barcos, motos, tratores movidos a combustíveis fósseis por veículos elétricos.  É a chamada eletro mobilidade.  O Brasil para atingir suas metas, terá que acelerar a troca da frota por carros elétricos de forma acelerada, com isso, teremos um ambiente mais limpo e estaremos diante de uma menor emissão dos gases.  As pessoas pensam que transição energética é apenas para a geração de energia elétrica, e na verdade refere-se a todas as atividades humanas como logística, produção de bens e serviços.  

 

ON Jornal –  Qual você considera ser o maior desafio na transição energética para fontes renováveis no Brasil e especialmente na região norte?

 

Renato Zimmermann- O Brasil é o grande potencial energético do planeta, mas enfrenta desafios de várias ordens.  O maior desafio do Brasil será eliminar o petróleo pois a maior empresa do Brasil é uma indústria petroleira e com controle do governo.  Também como desafio está na dificuldade de implantar microrredes de energia, onde as pequenas usinas deverão substituir os grandes projetos promovendo uma revolução e uma grande modernização do setor elétrico proporcionado pela descentralização da geração de energia. 

 

Para uma justa transição energética, qualquer cidadão terá o direito de gerar sua própria energia nos seus telhados, nas suas casas, nos seus estabelecimentos comerciais e nas propriedades rurais, isto é a descentralização do sistema elétrico.  Isto dará também uma maior segurança energética para toda a sociedade para enfrentar os possíveis apagões que irão acontecer devido a estes eventos extremos e que afetará a transmissão a longa distância de energia das megausinas existentes hoje.  Sem energia não existe atividade produtiva nem uma vida normal. 

 

Precisamos garantir o fornecimento de energia através do desenvolvimento deste novo modelo energético descentralizado e distribuído por milhões de usinas que poderão abastecer os carros elétricos sem custos de abastecer o carro e sem os custos de manutenção de motores.  Isto será o grande desafio e quando o Brasil quebrar esta resistência, as regiões como o Norte e suas comunidades mais distante, serão fortemente beneficiadas com o desenvolvimento de novos negócios mais sustentáveis como a bioeconomia e o extrativismo que são modelos mais conscientes e sustentáveis de produção.

 

ON Jornal – E sobre a Economia Verde, como os governos e empresas devem implementar políticas mais sustentáveis?

 

Renato Zimmermann- E Economia Verde é um novo modelo de desenvolvimento totalmente sustentável.  Atualmente está sendo difundido as atitudes ESG.  Este são os mecanismos de mudar a atual cultura empresarial vigente mediante a implantação de uma governança sócio ambiental.  Enquanto isso, ao nível de políticas públicas, o Congresso Nacional tramita vários projetos de lei como o do mercado de crédito de carbono que irá permitir uma remuneração para quem preserva as florestas, os rios, oceanos e a biodiversidade. 

 

A Economia Verde se baseia nestas práticas sustentáveis e irá propiciar novos protagonistas econômicos como por exemplo as atividades extrativistas, as agroflorestas e os manejos sustentáveis das atividades silvícolas.  E a região norte por estar dentro do maior patrimônio natural do planeta, a Floresta Amazônica, irá experienciar milhares de novas oportunidades de empregos, negócios e de geração de renda.  Serão milhões de novos empregos e trilhões de reais em novos negócios.

 

ON Jornal – Sobre a emergência climática, você fala em duas linhas de atuação? Como isso funcionária?

 

Renato Zimmermann- Existe a linha proativa que é o que tanto lutamos, ou seja, trabalhar para eliminar a poluição antes que a situação piore ainda mais.  A segunda linha é a reativa que é voltada para mitigar os efeitos, nesta linha estaremos apenas lutando e reagindo para nos proteger dos eventos.  Muito mais lógico atuarmos na linha proativa.

 

ON Jornal – Além disso, para que tenhamos uma consciência sustentável permanente, você destaca a Justiça Intergeracional, o que significa?

 

Renato Zimmermann-  Este termo Justiça Intergeracional é muito novo e começaremos a discutir e falar mais desta temática daqui para a frente.   A discriminação intergeracional ocorre quando uma geração não se preocupa com as gerações que estão por vir.  Sempre afirmo que nós que estamos hoje no planeta somos a última geração que pode reverter a crise climática, podemos ainda desativar esta “bomba” e se assim não fizermos, ou se estamos perdendo tempo com discussões efêmeras e com consumismo sem consciência, as futuras gerações terão o completo direito de sentir-se vítima de discriminação intergeracional.  Um tema sem dúvidas que irá cada vez encontrar espaço dentro das ciências humanas.

 

ON Jornal – Para quem quiser conhecer mais sobre seu trabalho e realizar um intercâmbio de informações, onde procurá-lo?

 

Renato Zimmermann- Podem procurar nas redes sociais o canal do You Tube @energiatransformacao ou no instagram  energia.transformacao.

Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.