O aquecimento global é o aumento anormal da temperatura média do planeta registrado nos últimos anos. Esse fenômeno está diretamente relacionado às ações antrópicas (atividades do homem).
Estimativa da ONU é a de que a temperatura média da Terra possa aumentar 3ºC em relação a hoje até 2100. O aquecimento global prosseguiria sem impedimento. Cerca de 50 grandes países sumiriam do mapa. Efetivamente tirando o acesso a pelo menos 10% das terras necessárias para as pessoas viverem.
O aquecimento global tem diversas consequências, entre elas: Derretimento das calotas polares e das geleiras, o que aumenta o nível dos oceanos; Acidificação dos oceanos; Perda de biodiversidade e extinção de espécies; Desequilíbrio de ecossistemas; Diminuição de recursos naturais; Problemas na produção agrícola; Impactos econômicos e outros prejuízos globais.
Mas afinal, o que precisa ser feito para que essa realidade mude, e possamos continuar usufruindo dos benefícios naturais que o nosso planeta nos dá?
O ON jornal, conversou com exclusividade com o mentor e ativista, Renato Zimmermann, que explica a gravidade do atual cenário no mundo, o que precisa ser feito AGORA e alerta, e como a humanidade pode minimizar os impactos das mudanças climáticas. Confira.
ON Jornal – Primeiramente, qual seu campo de atuação? E como seu trabalho ajuda na conscientização ambiental?
Renato Zimmermann- Sou um ativista de sustentabilidade. Meu trabalho é voluntário e sem fins econômicos. Eu busco alertar as pessoas sobre os riscos que a humanidade está correndo com os eventos climáticos extremos e também apresento algumas possíveis soluções para eliminar os gases de efeito estufa que provocam o aquecimento global e que é produzido pelas atividades humanas.
ON Jornal – Como conscientizar as pessoas da gravidade do atual cenário climático?
Renato Zimmermann- As pessoas estão assustadas por conta de tudo o que estão vendo na tele jornalismo e também sofrendo em suas próprias vidas. Porém muito acreditam que isto é obra da natureza e que tudo irá passar. Isto não é verdade, os efeitos do aquecimento global sobre o clima já haviam alerta a muitas décadas atrás. As pessoas precisam se preocupar também com as consequências na economia e na saúde e principalmente nas futuras gerações que habitarão nosso planeta.
ON Jornal – Os governantes e instituições globais já tem planos concretos para enfrentar as mudanças climáticas? Ou ainda falta mais comprometimento?
Renato Zimmermann- Existem planos concretos, a ONU vem organizando anualmente a Convenção das Parte (COP) onde todos os países do planeta são chamados para assumir metas de redução dos gases e também a promoverem compromissos sócios ambientais. A dificuldade é que as nações se resguardam pois fica evidente que o modo de vida atual já não é mais sustentável e que muita coisa precisará mudar. As nações como China e EUA são responsáveis por 50% de toda a poluição do planeta, e são justamente eles que não querem assumir metas mais agressivas justamente por conta do receio que isto irá afetar as suas economias.
ON Jornal – Por que a transição energética pode ser uma solução para as mudanças do clima?
Renato Zimmermann- A transição energética é a substituição de fontes poluentes como a gasolina, o diesel, o gás e o carvão e no lugar utilizar fontes limpas e renováveis como a energia do sol, da água e do vento. No Brasil temos um desafio que é substituir toda a frota de carros, barcos, motos, tratores movidos a combustíveis fósseis por veículos elétricos. É a chamada eletro mobilidade. O Brasil para atingir suas metas, terá que acelerar a troca da frota por carros elétricos de forma acelerada, com isso, teremos um ambiente mais limpo e estaremos diante de uma menor emissão dos gases. As pessoas pensam que transição energética é apenas para a geração de energia elétrica, e na verdade refere-se a todas as atividades humanas como logística, produção de bens e serviços.
ON Jornal – Qual você considera ser o maior desafio na transição energética para fontes renováveis no Brasil e especialmente na região norte?
Renato Zimmermann- O Brasil é o grande potencial energético do planeta, mas enfrenta desafios de várias ordens. O maior desafio do Brasil será eliminar o petróleo pois a maior empresa do Brasil é uma indústria petroleira e com controle do governo. Também como desafio está na dificuldade de implantar microrredes de energia, onde as pequenas usinas deverão substituir os grandes projetos promovendo uma revolução e uma grande modernização do setor elétrico proporcionado pela descentralização da geração de energia.
Para uma justa transição energética, qualquer cidadão terá o direito de gerar sua própria energia nos seus telhados, nas suas casas, nos seus estabelecimentos comerciais e nas propriedades rurais, isto é a descentralização do sistema elétrico. Isto dará também uma maior segurança energética para toda a sociedade para enfrentar os possíveis apagões que irão acontecer devido a estes eventos extremos e que afetará a transmissão a longa distância de energia das megausinas existentes hoje. Sem energia não existe atividade produtiva nem uma vida normal.
Precisamos garantir o fornecimento de energia através do desenvolvimento deste novo modelo energético descentralizado e distribuído por milhões de usinas que poderão abastecer os carros elétricos sem custos de abastecer o carro e sem os custos de manutenção de motores. Isto será o grande desafio e quando o Brasil quebrar esta resistência, as regiões como o Norte e suas comunidades mais distante, serão fortemente beneficiadas com o desenvolvimento de novos negócios mais sustentáveis como a bioeconomia e o extrativismo que são modelos mais conscientes e sustentáveis de produção.
ON Jornal – E sobre a Economia Verde, como os governos e empresas devem implementar políticas mais sustentáveis?
Renato Zimmermann- E Economia Verde é um novo modelo de desenvolvimento totalmente sustentável. Atualmente está sendo difundido as atitudes ESG. Este são os mecanismos de mudar a atual cultura empresarial vigente mediante a implantação de uma governança sócio ambiental. Enquanto isso, ao nível de políticas públicas, o Congresso Nacional tramita vários projetos de lei como o do mercado de crédito de carbono que irá permitir uma remuneração para quem preserva as florestas, os rios, oceanos e a biodiversidade.
A Economia Verde se baseia nestas práticas sustentáveis e irá propiciar novos protagonistas econômicos como por exemplo as atividades extrativistas, as agroflorestas e os manejos sustentáveis das atividades silvícolas. E a região norte por estar dentro do maior patrimônio natural do planeta, a Floresta Amazônica, irá experienciar milhares de novas oportunidades de empregos, negócios e de geração de renda. Serão milhões de novos empregos e trilhões de reais em novos negócios.
ON Jornal – Sobre a emergência climática, você fala em duas linhas de atuação? Como isso funcionária?
Renato Zimmermann- Existe a linha proativa que é o que tanto lutamos, ou seja, trabalhar para eliminar a poluição antes que a situação piore ainda mais. A segunda linha é a reativa que é voltada para mitigar os efeitos, nesta linha estaremos apenas lutando e reagindo para nos proteger dos eventos. Muito mais lógico atuarmos na linha proativa.
ON Jornal – Além disso, para que tenhamos uma consciência sustentável permanente, você destaca a Justiça Intergeracional, o que significa?
Renato Zimmermann- Este termo Justiça Intergeracional é muito novo e começaremos a discutir e falar mais desta temática daqui para a frente. A discriminação intergeracional ocorre quando uma geração não se preocupa com as gerações que estão por vir. Sempre afirmo que nós que estamos hoje no planeta somos a última geração que pode reverter a crise climática, podemos ainda desativar esta “bomba” e se assim não fizermos, ou se estamos perdendo tempo com discussões efêmeras e com consumismo sem consciência, as futuras gerações terão o completo direito de sentir-se vítima de discriminação intergeracional. Um tema sem dúvidas que irá cada vez encontrar espaço dentro das ciências humanas.
ON Jornal – Para quem quiser conhecer mais sobre seu trabalho e realizar um intercâmbio de informações, onde procurá-lo?
Renato Zimmermann- Podem procurar nas redes sociais o canal do You Tube @energiatransformacao ou no instagram energia.transformacao.
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