Um relatório interno do Supremo Tribunal Federal (STF) revelou uma escalada de hostilidade e ameaças diretas de morte contra ministros da Corte na rede social X (antigo Twitter), incluindo menções a fuzilamento, enforcamento, explosão e esquartejamento. Trechos do levantamento foram tornados públicos pelo ministro Flávio Dino nesta sexta-feira (9), através de sua conta no Instagram. De acordo com o documento, a plataforma X concentra a maior proporção de publicações violentas direcionadas aos integrantes do tribunal. Dino lamentou o incitamento contínuo à agressão física, enfatizando que divergências em relação a decisões judiciais devem ser tratadas por meio dos recursos previstos na legislação, sem coação ou intimidação aos magistrados.
As revelações ocorrem em um momento de profunda reestruturação interna no Judiciário quanto à condução do chamado Inquérito das Fake News, instaurado em 2019 pelo então presidente da Corte, ministro Dias Toffoli. Conduzido por anos pelo ministro Alexandre de Moraes, o processo passou a ser alvo de críticas expressivas devido à sua extensão temporal e ampliação de escopo. Recentemente, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, decidiu retirar a relatoria das mãos de Moraes após o envio de apurações envolvendo o ministro André Mendonça. Fachin defende publicamente o encerramento definitivo do inquérito, sob a tese de que a ferramenta perdeu a justificativa de sua criação original.
Apesar da disposição da cúpula em encerrar o inquérito, setores do tribunal observam com preocupação o cenário político no Congresso Nacional após a renovação das bancadas na Câmara e no Senado. A consolidação de uma bancada expressiva de parlamentares eleitos sob plataformas críticas ao STF intensificou o receio quanto a pautas de esvaziamento das competências criminais da Corte e pedidos de impeachment de ministros. Flávio Dino reiterou que as ameaças não afetarão o exercício de suas funções constitucionais, alertando que a tentativa de intimidar juízes compromete a própria independência do Poder Judiciário e o Estado Democrático de Direito.
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