Às vésperas da COP17 da Biodiversidade, agendada para ocorrer entre 19 e 30 de outubro em Yerevan, na Armênia, um relatório liderado pela organização internacional Earth Insight revelou dados alarmantes sobre a integridade dos ecossistemas tropicais. A pesquisa utilizou análise espacial avançada para cruzar dados de conservação e concessões industriais, demonstrando que milhões de hectares de áreas protegidas estão ameaçados pela expansão de setores de petróleo, gás e mineração. O documento adverte que a sobreposição extrativa enfraquece a meta que visa proteger 30% das terras, águas doces e oceanos do planeta até 2030.
Segundo o levantamento da Reuters, os blocos de exploração de petróleo e gás já invadem mais de 61 milhões de hectares de áreas protegidas. Paralelamente, as concessões e requerimentos minerários se sobrepõem a outros 43 milhões de hectares preservados, área comparável à superfície do Iraque. O diretor executivo da Earth Insight, Tyson Miller, destacou que, como grande parte dessas concessões ainda está na fase de pré-licenciamento, os governos locais e as instâncias internacionais possuem oportunidades decisivas para garantir a exclusão de atividades extrativas nessas zonas sensíveis.
O estudo dedica atenção às Áreas-Chave para a Biodiversidade (KBAs), revelando que mais de 40% dessas zonas na Amazônia permanecem desprovidas de proteção legal. Para assegurar uma conservação efetiva, a organização defende a criação de zonas de exclusão rígidas para indústrias de grande porte, o fortalecimento e financiamento direto da gestão de terras indígenas e comunitárias, e o alinhamento dos fluxos financeiros internacionais com a preservação ambiental.
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