O mundo já ultrapassou o limite de 1,5 °C de aquecimento e enfrenta uma “nova realidade” climática, segundo o segundo Relatório Global sobre Pontos de Inflexão, divulgado pela Universidade de Exeter e parceiros internacionais, com participação do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). O estudo, elaborado por 160 cientistas de 87 instituições, alerta que o planeta atingiu o primeiro de muitos pontos de inflexão do sistema terrestre, com consequências potencialmente catastróficas e irreversíveis para ecossistemas e comunidades.
Entre os principais alertas, o documento destaca que os recifes de corais de águas quentes já estão colapsando e que a Amazônia pode atingir um ponto de não retorno com o aumento das temperaturas e o desmatamento. A diretora adjunta de Pesquisa do Ipam, Patrícia Pinho, reforça que o fortalecimento dos territórios coletivos e o reconhecimento dos direitos de povos tradicionais são medidas essenciais para transformar pontos de inflexão negativos em oportunidades de regeneração e justiça climática.
Apesar dos riscos, o relatório também aponta caminhos positivos, como a aceleração do uso de energia solar e de veículos elétricos, além da cooperação internacional para estimular “pontos de virada” sustentáveis. Os cientistas trabalham junto à Presidência da COP30, que será sediada no Brasil, para incluir esses temas na agenda global. A meta é promover uma transformação de baixo carbono, impulsionando ações coordenadas que evitem novos colapsos e fortaleçam a resiliência dos ecossistemas e das populações.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.