Horas antes de Donald Trump e Vladimir Putin discutirem um possível cessar-fogo na Guerra da Ucrânia, Kiev confirmou um raro recuo militar na região de Donetsk, no leste do país. Segundo o general Serhii Naiev, a retirada permitirá preservar tropas e melhorar as defesas diante do avanço russo. O movimento acontece após o fracasso ucraniano em manter posições na região russa de Kursk, que poderia ser usada como moeda de troca em futuras negociações. Internamente, a pressão aumenta sobre a liderança militar de Kiev, com o deputado Oleksii Goncharenko pedindo a remoção do comandante das Forças Armadas, Oleskii Sirskii.
Enquanto isso, Trump tenta convencer Putin a aceitar uma trégua de 30 dias, algo que já exigiu de Volodimir Zelenski ao suspender o envio de ajuda militar à Ucrânia. O Kremlin, no entanto, rejeita o plano e quer negociações sob seus próprios termos, incluindo o reconhecimento da ocupação russa sobre 20% do território ucraniano e o veto definitivo à entrada de Kiev na Otan. A usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa e sob controle russo desde 2022, também estará na pauta da conversa entre os dois líderes.
Além do campo de batalha, a Rússia já projeta um futuro pós-guerra. Kirill Dmitriev, chefe do fundo soberano russo e negociador próximo ao Kremlin, afirmou que Moscou está pronta para retomar negócios com EUA e União Europeia assim que as sanções forem suspensas. Trump, favorável ao afrouxamento gradual das restrições, pode facilitar esse caminho, apesar da resistência europeia. Dmitriev também fez acenos a Elon Musk, elogiando sua atuação na SpaceX e sugerindo uma possível cooperação russa em missões espaciais.
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