A conversão de áreas florestais em pastagens responde por cerca de 90% do desmatamento na Amazônia, provocando graves alterações nas chuvas e na temperatura da região. No entanto, o manejo inadequado leva ao abandono de cerca de 17,7 mil km² de pastos por ano. Nesses locais, a natureza reage com a regeneração natural de florestas secundárias, conhecidas como capoeiras, ecossistemas que devolvem parte da biodiversidade, ajudam na absorção de carbono e restabelecem o ciclo hídrico essencial para a regulação do clima regional.
Embora tragam benefícios ecológicos valiosos e custo reduzido, as capoeiras enfrentam desafios para atingir seu pleno potencial. Pesquisas financiadas pelo CNPq, Instituto Serrapilheira e Fapespa utilizam torres de observação no Pará para medir em quanto tempo essas vegetações em recuperação conseguem estabilizar a temperatura e os índices pluviométricos.
O avanço desses estudos é crucial para preencher lacunas sobre como o histórico do uso da terra e eventos climáticos extremos, como secas associadas ao El Niño, influenciam esse processo de reabilitação. Atualmente, as capoeiras ocupam cerca de 148 mil km² da Amazônia, mas sofrem com a falta de proteção e com ciclos recorrentes de destruição: 80% delas voltam a ser desmatadas antes de completarem 20 anos de regeneração.
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