A busca por excelência nos serviços de saúde vai muito além de uma boa infraestrutura. Trata-se também de garantir processos seguros que protejam a vida do paciente e otimizem os recursos institucionais. No Brasil, a Organização Nacional de Acreditação - ONA, que completa quase 25 anos de história, consolida-se como a principal entidade nacional voltada para essa transformação.
Para discutir os desafios da gestão hospitalar, a importância da segurança do paciente e as novidades no setor, o ON Jornal conversa com Gilvane Lolato que é gerente geral de Operações da ONA. Confira.
ON Jornal: O que é a ONA e qual o seu papel fundamental no ecossistema de saúde?
Gilvane Lolato: A ONA (Organização Nacional de Acreditação) é a principal entidade certificadora de serviços de saúde no Brasil e a única nacional. Nosso papel fundamental é promover a segurança do paciente e a melhoria contínua da gestão por meio da acreditação.
Atuamos como um balizador de qualidade: ao estabelecer padrões técnicos elevados, ajudamos a estruturar o ecossistema de saúde para que ele seja mais eficiente, seguro e focado em resultados reais para o cidadão.
ON Jornal: Qual é o cenário atual da cobertura da empresa e como funciona na prática?
Gilvane Lolato: Atualmente, a ONA detém 73% das organizações de saúde acreditadas no Brasil. Na prática, o processo ocorre por meio de Instituições Acreditadoras Credenciadas (IACs), que utilizam a nossa metodologia para avaliar as organizações de saúde.
A acreditação ONA não é apenas um certificado na parede. É um processo dinâmico de visitas diagnósticas e avaliações periódicas que garantem que a instituição mantém o nível de excelência exigido.
ON Jornal: A ONA possui reconhecimento internacional pela ISQua. O que essa tripla certificação representa para a metodologia nacional frente ao mercado global?
Gilvane Lolato: A tripla certificação pela ISQua EEA (Organização, Metodologia e Programa de Treinamento de Avaliadores) coloca o Brasil no padrão ouro mundial. Isso significa que um hospital acreditado pela ONA segue rigorosamente os mesmos princípios de segurança e qualidade adotados nas melhores instituições da Europa ou dos Estados Unidos.
Para o mercado global, isso valida a competência técnica brasileira e dá segurança para o investimento internacional e para o turismo de saúde.
ON Jornal: Atualmente, a maioria das instituições acreditadas está no setor privado. Quais são os principais desafios para as organizações públicas buscarem essa certificação?
Gilvane Lolato: O desafio no setor público não é a falta de competência técnica, mas a continuidade administrativa e a previsibilidade de recursos. A acreditação exige uma mudança de cultura e investimentos sustentados em processos.
Superar a burocracia na contratação de serviços e insumos e garantir que a gestão da qualidade seja uma política de Estado, e não apenas de uma gestão temporária, são os maiores obstáculos. Atualmente, considerando hospitais 40% são públicos.
ON Jornal: De que maneira a implementação da metodologia ONA contribui diretamente para a redução de desperdícios financeiros e custos operacionais?
Gilvane Lolato: Qualidade gera eficiência. Quando padronizamos processos e mitigamos riscos, reduzimos eventos adversos, glosas hospitalares e o retrabalho.
A metodologia ONA foca na gestão por processos: ao identificar falhas precocemente e otimizar o uso de recursos, a instituição consegue reduzir drasticamente o desperdício, o que reflete diretamente na sustentabilidade financeira da operação.
ON Jornal: O que o setor pode esperar de novidades para a Feira Hospitalar 2026 em termos de novos manuais e plataformas?
Gilvane Lolato: A Hospitalar 2026 será um marco. Estamos lançando um livro sobre os bastidores do novo Manual OPSS 2026, que traz atualizações críticas para as Organizações Prestadoras de Serviços de Saúde.
Além disso, apresentaremos o programa Nível Fundamento, desenhado para apoiar instituições menores em seus primeiros passos rumo à excelência, e novidades no sistema Jornada da Acreditação, que torna a gestão do processo muito mais ágil e digital, além do lançamento de Certificação Por Escopo e um novo olhar para a Educação ONA.
ON Jornal: Considerando o avanço tecnológico, como a Inteligência Artificial e a inovação em plataformas digitais devem agregar valor ao processo de acreditação?
Gilvane Lolato: A IA é nossa grande aliada. Ela atuará como um copiloto para os avaliadores e gestores, permitindo a análise de grandes volumes de evidências clínicas e administrativas em tempo real.
Isso traz mais precisão ao diagnóstico de conformidade e permite que a acreditação deixe de ser uma foto estática do momento da visita para se tornar um monitoramento contínuo da qualidade.
ON Jornal: Para o cidadão comum, quais são as dicas práticas para identificar se um atendimento de saúde segue os padrões da ONA?
Gilvane Lolato: O cidadão deve procurar pelo selo da ONA visível na recepção ou no site da instituição. Na prática, ele percebe a qualidade através de detalhes como: a confirmação constante da sua identidade em cada procedimento, a limpeza e organização do ambiente, a clareza nas informações passadas pela equipe e a existência de canais abertos para ouvir o paciente. Uma instituição acreditada coloca a segurança do paciente acima de tudo.
ON Jornal: Quais são os principais vetores e perspectivas de crescimento para o ano de 2026?
Gilvane Lolato: Projetamos um crescimento robusto impulsionado pela digitalização e pela expansão para setores como a Telemedicina e Saúde Digital, cujos manuais já estão em fase avançada de implementação.
A meta é aumentar nosso volume de certificações em 2026 através da democratização do acesso à metodologia, alcançando regiões e serviços que antes viam a acreditação como algo distante.
ON Jornal: E para a região Norte, quais foram as conquistas e quais são os principais projetos para 2026?
Gilvane Lolato: A região Norte tem sido um foco estratégico. Já conquistamos avanços significativos na profissionalização de hospitais em polos como Manaus e Belém.
Para 2026, o projeto é intensificar a presença da ONA através de parcerias regionais que considerem as particularidades logísticas e geográficas da Amazônia, levando o padrão de segurança ONA para áreas mais remotas e fortalecendo a rede pública e privada local.
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