O Projeto Mejuruá ocupa cerca de 900 mil hectares de floresta nativa em Carauari, a 780 quilômetros de Manaus, e prevê atuação por 30 anos com manejo florestal certificado e geração de créditos de carbono. Desenvolvido pela BR Arbo Gestão Florestal, o projeto aposta na manutenção da floresta em pé, abrindo mão de desmatar os 20% permitidos por lei, como alternativa econômica diante dos altos custos logísticos da região. Segundo a empresa, a área foi escolhida pela segurança jurídica e pode servir de modelo para iniciativas semelhantes em outros países tropicais.
Os créditos de carbono são apresentados como elemento central para a viabilidade do projeto, apesar das críticas e desafios que cercam esse mercado. A expectativa é arrecadar cerca de US$ 40 milhões ao longo de 40 anos, com investimentos em energia renovável, água potável, internet e atividades sustentáveis para as comunidades. O manejo florestal, com extração seletiva de madeira, está previsto para começar em 2027, seguindo ciclos de 30 anos para permitir a regeneração da floresta.
Apesar das promessas ambientais e econômicas, o projeto é alvo de denúncias de comunidades tradicionais do Riozinho, que alegam não terem sido consultadas previamente, como prevê a Convenção 169 da OIT. O Ministério Público Federal no Amazonas abriu inquérito para investigar possíveis irregularidades, incluindo sobreposição de territórios e falhas em auditorias.
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