quarta, 21 de outubro de 2026
22/09/2026   08:20h - Justiça

Projeto Maria Vai à Escola leva debate sobre violência doméstica a alunos do Instituto Filippo Smaldone

A secretária executiva da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Tribunal de Justiça do Amazonas (Cevid/TJAM), desembargadora Maria das Graças Pessôa Figueiredo, ministrou na manhã de sexta-feira (18/9) uma palestra sobre o enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher para estudantes do Instituto Filippo Smaldone, situado na avenida Tókio, bairro Planalto, zona Centro-Oeste de Manaus. A atividade integra o "Projeto Maria Vai à Escola" e reuniu cerca de 50 pessoas na instituição filantrópica católica de educação especial, que há mais de quatro décadas atua na inclusão, reabilitação e ensino bilíngue (Libras e Português) de crianças e adolescentes surdos ou com deficiência auditiva.

 

Para assegurar que o conteúdo chegasse de maneira acessível e inclusiva, a equipe da Cevid contou com o suporte dos intérpretes de Libras Jorge Silva, Gilmara Pinheiro, Cleydiane de Sá e Samara, integrantes da Divisão de Inclusão, Acessibilidade e Sustentabilidade do TJAM, além da participação do artista circense Cleciano Chagas, o "Clé Clé", responsável por descontrair os jovens, estimular a participação e facilitar a interação com os alunos. Ao término da palestra, foi distribuída aos estudantes a cartilha "Perguntas e respostas sobre violência doméstica para jovens e adolescentes", com 48 páginas e linguagem voltada ao público jovem, de autoria da desembargadora Graça Figueiredo e coautoria do servidor judiciário Igor Reis. A magistrada também se encontrou com idosos que participam de projetos comunitários do instituto.

 

Entre os alunos presentes havia jovens que relataram ter testemunhado agressões físicas do pai contra a mãe dentro de casa. Uma das estudantes contou que não sabia como agir naquele momento. A desembargadora orientou que, em situações assim, existem diversos caminhos, como conversar com o pai e mostrar a ele que o ato cometido é uma violência grave. Caso a criança tema a reação do agressor, outra alternativa é relatar o ocorrido às professoras da escola para que providências sejam tomadas. "Fiquei muito feliz em ministrar essa palestra e pudemos ver pelas perguntas que as crianças fizeram que existem as agressões presenciadas por elas e que elas não se conformam com isso. As principais dúvidas foram saber se isso é normal ou como se faz para denunciar. A Coordenadoria, as Varas Maria da Penha do Tribunal de Justiça e todos nós da rede de apoio estamos aqui para dar auxílio e ajuda para aquelas pessoas que se encontram nessa situação de violência dentro do lar", declarou Graça Figueiredo.

 

A magistrada afirmou que o trabalho do Tribunal de Justiça junto às escolas busca formar multiplicadores contra a violência doméstica. "Agressões tem que ser denunciadas, e é preciso que as crianças e adolescentes sejam multiplicadores na luta contra a violência doméstica. Não se bate em ninguém, muito menos em mulher. Precisamos viver em paz e todos somos iguais e com direito ao respeito. O sentido do voluntariado que eu faço é chamar os alunos para que eles não se omitam perante uma agressão, e que possam ser multiplicadores porque a violência não pode existir em nenhum grau e lugar", comentou. Para a diretora pedagógica do Instituto Filippo Smaldone, irmã Maria Damasceno, a atividade representa um aprendizado duradouro: "Uma atividade como essa realizada hoje aqui na escola tem uma importância primordial para os nossos alunos de 2º ao 9º ano porque representa um aprendizado para que eles comecem a interiorizar a importância de não serem violentos dentro de casa e futuramente, quando constituírem suas famílias. O que eles estão aprendendo hoje será influência para o futuro deles". Fundado há 42 anos em Manaus, o Instituto Filippo Smaldone adota o ensino bilíngue, com a Libras como primeira língua e o português como segunda, promovendo o desenvolvimento educacional, social e a inclusão dos estudantes.

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