Apesar de Nova York não ser a pioneira na legalização da venda de cânabis recreativa nos Estados Unidos, a inauguração da primeira loja especializada na substância na cidade seguiu o dilema filosófico: se uma árvore cai na floresta e ninguém nota, ela faz barulho?
Como a fila tem ocupado diariamente todo o quarteirão da Broadway, no sul de Manhattan, epicentro da atenção nacional e internacional, pode-se dizer que a venda de maconha faz uma barulheira desde o último dia 29, quando foi inaugurada a Housing Works Cannabis Store.
Na tarde da última quinta-feira (5) a longa aglomeração se destacava por outra característica não associada a nova-iorquinos nativos: estranhos puxavam conversas amistosas como se fossem conhecidos. Também não é comum uma fila voluntária, associada a recreação, reunir idosos e adolescentes –estes isolados do mundo por fones de ouvido.
A legislação e o licenciamento de produtores e comerciantes de derivados de cânabis compete individualmente a estados nos EUA. O prefeito Eric Adams, eleito em 2021 numa plataforma de combate ao crime, se tornou defensor vigoroso de um modelo de produção e comercialização que se caracterizasse por equidade. Afinal, no auge da chamada guerra às drogas, Nova York liderava o país em número de prisões e de punição desproporcional a negros e latinos de baixa renda.
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