O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, propôs uma reforma constitucional que, se aprovada, tornará ele e sua esposa, Rosario Murillo, copresidentes do país. A proposta, anunciada nessa semana, também visa estender o mandato presidencial de cinco para seis anos, reduzir o número de magistrados no sistema judiciário e ampliar o mandato dos juízes. O projeto será votado pelo Parlamento, controlado pelo partido de Ortega.
Simultaneamente, Ortega apresentou uma medida que proíbe a aplicação de sanções internacionais em território nicaraguense, como as impostas pelos Estados Unidos. A reforma foi amplamente criticada, especialmente pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que a considerou uma "institucionalização da ditadura". A proposta surge no contexto de uma repressão crescente desde os protestos de 2018, quando o governo de Ortega prendeu opositores, jornalistas e líderes religiosos, forçando muitos ao exílio.
A reforma é vista como uma tentativa de Ortega consolidar seu poder e garantir a sucessão familiar, com grupos dissidentes afirmando que a democracia está em risco. Analistas, como Manuel Orozco, consideram que as mudanças buscam formalizar a permanência do governo e podem gerar mais sanções financeiras. A proposta é parte de um plano de longo prazo que pode encontrar resistência interna e internacional, especialmente com a chegada da nova administração dos Estados Unidos.
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