quinta, 23 de abril de 2026
19/11/2025   19:20h - Meio Ambiente

Povos da Amazônia denunciam mineradoras em tribunal simbólico em Belém

Durante a Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP30 em Belém (PA), um “Tribunal Popular” simbolicamente condenou as mineradoras Vale, Hydro e Belo Sun, além do estado do Pará, por violações socioambientais. Cerca de 150 indígenas, quilombolas e agricultores familiares relataram casos de contaminação de rios, desmatamento, aumento da violência e problemas de saúde atribuídos às atividades minerárias. O júri simbólico, formado por representantes de movimentos sociais, concluiu que as empresas e o governo estadual têm responsabilidade moral pela destruição ambiental e pelos impactos sobre comunidades tradicionais.

 

As denúncias envolveram situações vividas em territórios como Jambuaçu, Barcarena e a região do alto Tapajós, onde moradores relataram água imprópria para consumo, morte de peixes e poluição do ar e do solo. A Vale também foi criticada por impactos da Estrada de Ferro Carajás em Açailândia (MA), enquanto a Belo Sun foi acusada de pressionar agricultores na Volta Grande do Xingu. As mineradoras negaram as acusações, afirmando que não há comprovações técnicas dos danos e destacando ações de monitoramento, diálogo e investimentos socioambientais. A Belo Sun e o governo do Pará não responderam até o momento.

 

O ato também expôs o conflito entre as comunidades afetadas e o discurso de que a mineração seria essencial para a transição energética, tema recorrente na COP30. Especialistas alertaram que o modelo extrativista, mesmo quando associado à produção de minerais críticos como lítio e níquel, continua causando impactos irreversíveis devido à escala de exploração, ao uso intensivo de água e às substâncias químicas empregadas. 

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