Apesar de muitas pessoas associarem os pinguins à gelada Antártida, essas aves marinhas também são encontradas em regiões tropicais, como no litoral brasileiro. Mas uma curiosidade intriga cientistas e apaixonados pela natureza: por que nunca houve registros, nem fósseis, de pinguins vivendo no Hemisfério Norte? A resposta passa por fatores ecológicos, comportamentais e até evolutivos, conforme revela um estudo recente publicado no Journal of Biogeography.
Segundo os pesquisadores Amanda Mourão Santos e Ubirajara Oliveira, da UFMG, o principal entrave está na travessia entre hemisférios. Para alcançar o Norte, os pinguins precisariam cruzar a zona intertropical, uma faixa quente e com pouca oferta de alimento o que tornaria inviável sua sobrevivência. Além disso, essas aves possuem um comportamento de conservação filogenética de nicho: preferem viver e se reproduzir em ambientes historicamente ocupados por seus antepassados.
O estudo mostra que a ausência dos pinguins no Norte do planeta é resultado da combinação de barreiras geográficas, escassez de alimento nas águas quentes e herança evolutiva. Entender essas limitações ajuda a prever como as espécies podem reagir às mudanças climáticas, já que os pinguins são considerados indicadores sensíveis das alterações nos ecossistemas marinhos.
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