quarta, 21 de outubro de 2026
08/10/2026   14:00h - Meio Ambiente

Poluição por ozônio reduz 24% a capacidade de absorção de carbono na Amazônia

A poluição atmosférica resultante de incêndios florestais na Amazônia está comprometendo severamente a capacidade da floresta de absorver dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Um estudo inédito conduzido por cientistas da Universidade de Exeter, da ETH Zurich e da Universidade James Cook revelou que o ozônio (O3) gerado a partir da reação da fumaça das queimadas com a luz solar causa um dano secundário à vegetação remanescente. Esse prejuízo invisível reduz a fotossíntese e a captação de carbono pelas árvores sobreviventes em um volume equivalente a cerca de 24% de todo o CO2 lançado diretamente pelas chamas, exacerbando o orçamento de emissões da região tropical.

 

De acordo com os pesquisadores, o impacto do ozônio na troposfera é particularmente devastador em períodos de seca extrema, associados a episódios de El Niño, como os registrados em 1997/98, 2015/16 e 2023/24. Durante a recente estiagem de 2023/24, os danos causados pelo O3 foliar praticamente dobraram em relação à média da década anterior. A pesquisadora Flossie Brown, da ETH Zurich, alertou que a formação de um novo evento climático no Pacífico pode repetir esse cenário crítico, reforçando a urgência de contabilizar esses danos nas métricas de conservação do ecossistema amazônico.

 

A análise espacial apontou que a maior concentração de danos por ozônio ocorre ao longo do Arco do Desmatamento, faixa que abrange as bordas sul e leste da Amazônia. Como a maioria expressiva das queimadas na região possui origem humana e está vinculada à conversão de terras para a agropecuária, os cientistas destacam que esse efeito secundário é amplamente evitável. 

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