O Tribunal do Júri de Samambaia (DF) inocentou o sargento da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Edimilson Dias Ferreira Júnior da acusação de ter matado a tiro adolescente Gustavo Henrique Soares Gomes, 17 anos, em 2022. Na última sexta-feira (17), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) confirmou que pretende recorrer da decisão de primeira instância.
A decisão do júri foi anunciada na última semana, após cerca de 15 horas de julgamento. Formado por um juiz, que o preside, e por sete pessoas escolhidas para compor o júri, o conselho de sentença do tribunal reconheceu, por maioria, a materialidade e autoria do crime, mas absolveu Edimilson.
Para a irmã de Gustavo, Yandra Rafaela Marques, o recurso do Ministério Público do Distrito Federal é uma chance de dar ao adolescente um julgamento justo, o que a família entende que não ocorreu.
O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) não respondeu às críticas. Já o advogado Júlio Cesar de Souza Lima, que defende o policial, confirmou que pediu à juíza substituta Viviane Kazmierczak para que seu cliente fosse autorizado a deixar a sala durante a longa sessão de testemunhos.
Relembre o caso – Gustavo Henrique Soares Gomes foi baleado na tarde de 28 de janeiro do ano passado. Segundo a PM divulgou à época, o adolescente estava na garupa de uma moto cujo piloto, Gustavo Matheus Santana da Silva, de 18 anos, não parou em um bloqueio policial montado em uma via de Samambaia, região administrativa do Distrito Federal a cerca de 40 quilômetros de distância do centro.
Ainda de acordo com policiais militares que participaram da abordagem, enquanto o piloto acelerava o veículo para escapar da blitz, Gustavo levou uma das mãos à cintura, como se fosse apanhar algo sob a blusa. Edimilson alega que, sentindo-se ameaçado, disparou contra a dupla, em legítima defesa. O projétil atingiu Gustavo, que foi levado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Samambaia, mas não sobreviveu.
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