A defesa da BR-319, a manutenção da competitividade da Zona Franca de Manaus e a busca por alternativas para melhorar a qualidade de vida da população amazonense estão entre as principais bandeiras do candidato a reeleição para um eventual segundo mandato no Senado. Em entrevista ao On Jornal, o parlamentar também falou sobre a disputa pelas duas vagas destinadas ao Amazonas em 2026 e fez um balanço das ações que atribui ao período em que ocupa o cargo.
Plínio afirma que pretende manter no Senado a postura que adotou desde o início do mandato, com atuação voltada às demandas do Amazonas. Entre os resultados que apresenta estão a destinação de mais de R$ 1,2 bilhão por meio de emendas, segundo dados citados pelo próprio senador, além da aprovação de projetos de lei e da participação em discussões relacionadas à Zona Franca, à infraestrutura e à Amazônia.
A BR-319 aparece como a principal prioridade apontada pelo senador para os próximos oito anos. Segundo ele, a recuperação e pavimentação da rodovia representariam uma mudança estrutural para o Amazonas, principalmente pela possibilidade de ampliar a ligação terrestre do estado com o restante do país. Plínio também defende a manutenção da Zona Franca de Manaus e a ampliação de atividades econômicas que, segundo ele, possam gerar renda sem comprometer a preservação ambiental.
Outro ponto destacado pelo senador é a atuação da CPI das ONGs, que presidiu no Senado. Segundo Plínio, a comissão ouviu representantes de organizações não governamentais, autoridades, indígenas e ribeirinhos, além de requisitar documentos e informações. Ele afirma que, a partir do trabalho realizado, defende maior transparência na aplicação de recursos públicos e estrangeiros destinados a ações na Amazônia.
OJ: O senhor disputa a reeleição para mais oito anos no Senado. O que o eleitor amazonense pode esperar de diferente em um segundo mandato e quais seriam as três primeiras prioridades que o senhor colocaria em prática caso seja reeleito?
PLÍNIO VALÉRIO: O eleitor pode esperar de mim a mesma independência e a mesma coragem. Eu não estou em Brasília para me defender, mas para defender o Amazonas.

Se eu tiver que apontar três prioridades, a primeira é a BR-319. Não dá mais para aceitar o Amazonas isolado do restante do Brasil. Luto diariamente para que a rodovia seja asfaltada, cobrando, denunciando ONGs, entrando com ações na Justiça, e vou continuar cobrando até que essa rodovia seja definitivamente recuperada. É um direito nosso, o direito de ir e vir.
A segunda prioridade é proteger a Zona Franca de Manaus. Não basta dizer que a Zona Franca está garantida na Constituição, temos que assegurar que ela continue competitiva na prática, protegendo as empresas e os empregos que dependem desse modelo.
E a terceira é continuar lutando para melhorar a qualidade de vida de quem mora no Amazonas. Avançar na saúde, na geração de emprego e renda e no aproveitamento sustentável dos nossos recursos naturais. Não aceito que o Amazonas esteja sentado sobre algumas das maiores riquezas do planeta e continue convivendo com pobreza, falta de oportunidade e isolamento. Essa é uma luta diária.

OJ: O Amazonas terá vários nomes disputando as duas vagas ao Senado, entre eles Eduardo Braga, Wilson Lima, Capitão Alberto Neto, Ismael Munduruku e outros candidatos. Como o senhor avalia os debates que já está tendo com esses candidatos e qual é a principal diferença entre o seu projeto e o dos demais concorrentes?
PV: Eu tenho procurado aproveitar os debates para fazer aquilo que sempre fiz: prestar contas e discutir o Amazonas.
Eu não preciso dizer apenas o que pretendo fazer. Posso mostrar o que fiz. Foram 1.286 emendas destinadas ao Amazonas, mais de R$ 1,2 bilhão em recursos, com quase metade dos recursos destinada à saúde. Tenho leis aprovadas, projetos importantes que passaram pelo Senado, presidi a CPI das ONGs e passei esses anos defendendo a BR-319, a Zona Franca e os interesses do Amazonas.
Então, nos debates, estou prestando contas do trabalho e falando sobre meu compromisso. Não tenho patrão em Brasília, meus patrões estão no Amazonas, o cidadão e a cidadã que me elegeram. Meu compromisso é com o Amazonas e é essa independência que vou manter sempre.
OJ: O senhor costuma dizer que seu mandato entregou resultados, citando emendas, leis aprovadas, defesa da população do Amazonas contra ONGs na Amazônia e da Zona Franca. Por que o eleitor deveria considerar esses resultados suficientes para lhe dar mais oito anos de mandato?
PV: Quando pedi o voto em 2018, fiz compromissos. Agora posso voltar ao eleitor mostrando o que consegui entregar.
Destinei mais de R$ 1 bilhão em emendas ao Amazonas. Só para a saúde foram cerca de R$ 485 milhões, chegando aos 62 municípios. Ajudei hospitais, maternidades, unidades de saúde e instituições que atendem diretamente a nossa população. Na educação, infraestrutura, agricultura, assistência social, segurança e nas comunidades indígenas também existem recursos e ações do nosso mandato.
Mas meu trabalho não se resume a emenda, a função de um senador é legislar. Transformei projetos em leis, como a lei que colocou nas escolas o combate à violência contra a mulher e a que garante a mamografia pelo SUS a partir dos 40 anos. Defendi a Zona Franca, a BR-319 e presidi a CPI das ONGs, que investigou uma questão que durante muitos anos ninguém quis enfrentar.
Ainda quero mais um mandato para continuar na luta pela BR-319 e condenando os maus ministros do Supremo Tribunal Federal. Minha voz ecoará sempre em defesa do Amazonas e do que é justo.
Estou apresentando o que fiz e dizendo: se você considera que esse trabalho representa o Amazonas, me dê a oportunidade de fazer mais. O segundo mandato precisa ser a continuação e a ampliação desse trabalho.
OJ: A CPI das ONGs, presidida pelo senhor, colocou no centro do debate a atuação de organizações não governamentais na Amazônia. O que o senhor defende hoje em relação a isso após colher depoimentos e documentos?
PV: Nós ouvimos representantes de ONGs, autoridades ambientais, indígenas, ribeirinhos, ministros e ex-ministros. Fizemos diligências na Amazônia e recebemos documentos e informações. A CPI realizou dezenas de reuniões, ouviu depoimentos e expediu 72 pedidos de informação.
O que eu defendo depois de tudo isso é transparência, fiscalização e respeito à população que vive na Amazônia. Quem recebe dinheiro público ou recursos estrangeiros para atuar aqui precisa prestar contas com clareza. E nenhuma organização pode substituir o Estado brasileiro nem decidir o destino das populações amazônicas sem ouvi-las.
O relatório final deixou propostas legislativas justamente para enfrentar esses problemas, tratando de temas como transparência, Fundo Amazônia, licenciamento e atividades econômicas em terras indígenas. Minha luta agora é para fazer essas propostas avançarem.
OJ: O senhor defende que é possível preservar a floresta e, ao mesmo tempo, ampliar a exploração econômica dos recursos da Amazônia. Na prática, quais atividades o senhor considera que deveriam ser ampliadas no Amazonas?
PV: Eu parto de uma ideia muito simples: temos que preservar, mas também precisamos valorizar quem mora na floresta. Não podemos defender um modelo em que o mundo inteiro se beneficia da preservação da Amazônia e o caboclo, o indígena, o ribeirinho e o produtor continuam pobres, na miséria.
Temos várias possibilidades de aproveitar as riquezas da floresta, os minérios, o potássio e o gás. Podemos fortalecer a bioeconomia, a pesca, a agricultura adaptada à realidade amazônica.
E existe um papel importante para a Embrapa nisso. Pesquisa e tecnologia podem permitir que o produtor aumente sua renda sem precisar avançar sobre a floresta.
Defendo desenvolvimento com regras. O Amazonas pode conciliar as duas coisas.
OJ: Para encerrar: se o senhor conquistar mais oito anos no Senado, qual problema histórico do Amazonas o senhor acredita que precisa estar resolvido até o fim desse período?
PV: Se eu tiver que escolher um símbolo é a BR-319. Eu quero no meu segundo mandato poder dizer que o Amazonas deixou de ser um estado isolado por terra do restante do Brasil, eu quero que cada amazonense tenha o direito de passear na BR-319.
A BR-319 significa o direito de ir e vir, significa diminuir custos, facilitar o abastecimento, transportar medicamentos, escoar produção e dar ao Amazonas uma ligação permanente com o restante do país.
Passei o primeiro mandato inteiro cobrando essa rodovia e colocando o assunto na pauta de Brasília. Quero usar a experiência e a força política acumuladas nesses anos para continuar essa cobrança.
Se daqui a oito anos nós tivermos a BR-319 definitivamente recuperada e pavimentada, a Zona Franca protegida, uma economia mais diversificada no nosso estado e a população do interior com mais saúde, renda e oportunidade, teremos mudado questões estruturais do Amazonas. É para isso que quero continuar no Senado.
Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.