quarta, 21 de outubro de 2026
13/09/2026   10:00h - Cães & Gatos

Plantas ornamentais podem intoxicar cães e gatos; veja quais evitar

Plantas ornamentais são comuns em casas e jardins, mas algumas espécies podem representar risco para cães e gatos. A ingestão de folhas, flores, frutos ou sementes pode provocar intoxicações que vão de irritações leves a quadros potencialmente fatais. Segundo o botânico Luís Adriano Funez, pesquisador e curador do Herbário Barbosa Rodrigues, as substâncias tóxicas fazem parte das estratégias naturais de defesa das plantas. "Como as plantas não podem correr, lutar ou voar, um dos jeitos que elas têm para se defender de animais, fungos, bactérias e até de outras plantas é por meio de substâncias químicas", explica.

 

Esses compostos não afetam necessariamente todos os animais da mesma forma. O botânico explica que algumas toxinas são seletivas e atingem apenas determinadas espécies. "O abacate, por exemplo, possui persina, que não é tóxica para humanos, mas pode ser letal para um periquito e causar bastante desconforto em cães e gatos", exemplifica. Outras substâncias têm efeitos mais abrangentes e também estão presentes em alimentos consumidos pelas pessoas. É o caso do oxalato de cálcio, encontrado em hortaliças como espinafre e beterraba e também em plantas ornamentais da família das aráceas. Nessas espécies, os cristais assumem formato semelhante ao de pequenas agulhas, capazes de provocar intensa irritação na boca e na garganta quando mastigados.

 

Entre as plantas consideradas mais perigosas, Funez destaca a espirradeira (Nerium oleander) e o chapéu-de-napoleão (Thevetia peruviana), que possuem glicosídeos cardíacos e podem causar intoxicações graves após a ingestão de qualquer parte da planta. Outra família que merece atenção é a das solanáceas, que inclui espécies como a trombeta-de-anjo (Brugmansia suaveolens) e a Datura stramonium, capazes de provocar alterações neurológicas. A mamona (Ricinus communis) também está entre as mais perigosas, com sementes que concentram ricina, uma das toxinas vegetais mais potentes conhecidas. Espécies populares em ambientes internos, como comigo-ninguém-pode, jibóia, filodendro, antúrio e caládio, costumam provocar irritações intensas na boca e na garganta, além de edema de glote.

 

O médico-veterinário Antônio Carlos Geraldo Júnior, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), explica que os sintomas variam conforme a planta ingerida, a quantidade consumida e a sensibilidade de cada animal. Os sinais mais comuns incluem vômitos, diarreia, salivação excessiva, apatia e perda de apetite. Em casos mais graves, podem surgir tremores, convulsões, dificuldade para respirar, alterações no ritmo cardíaco e comprometimento de órgãos como fígado e rins. "Diante de qualquer suspeita de ingestão de uma planta tóxica, o ideal é procurar atendimento veterinário imediatamente. Quanto mais cedo forem realizados o diagnóstico e o tratamento, maiores são as chances de recuperação do animal", orienta. Além das espécies citadas, outras plantas frequentemente encontradas em residências também podem representar risco, como azaleia, lírio, copo-de-leite, espada-de-são-jorge, costela-de-adão, tulipa, hera e palmeira-cica. A recomendação é verificar se a planta oferece risco aos pets antes de adquiri-la e mantê-la fora do alcance dos animais.

Copyright © 2021-2026. Onjornal - Todos os direitos reservados.