Reconhecido como um dos maiores peixes de água doce do planeta, o Pirarucu (Arapaima gigas) é um dos símbolos mais impressionantes da biodiversidade dos rios e lagos do Amazonas. O gigante aquático, que pode superar os 3 metros de comprimento e ultrapassar a marca de 200 quilos, guarda uma adaptação biológica singular: possui uma bexiga natatória modificada que atua como um pulmão rudimentar. Essa característica fisiológica exige que o animal suba à superfície do rio a cada 20 minutos para respirar o ar atmosférico.
Ao "boiar" para captar oxigênio, o Pirarucu emite um som característico de borbulhamento e expõe parte do dorso na lâmina d'água. Essa necessidade respiratória torna o peixe um alvo relativamente fácil e previsível para os pescadores locais, que utilizam o momento da subida para a localização e o manejo da espécie. Por outro lado, a atividade exige destreza dos ribeirinhos, uma vez que a força do peixe ao se debater representa um desafio físico e um risco significativo durante a captura.
A vulnerabilidade provocada por essa dependência de ar atmosférico levou o Pirarucu ao risco de extinção nas últimas décadas por conta da pesca predatória. No entanto, a implementação de planos de manejo sustentável em reservas extrativistas e comunidades ribeirinhas do Amazonas vem garantindo a recuperação das populações da espécie, promovendo a conservação ambiental associada à geração de renda para a população regional.
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