O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, enfrenta uma nova pressão diplomática após o avanço, no Congresso dos Estados Unidos, de um projeto de lei que permitiria a Washington impor tarifas de até 100% a países que mantenham grandes compras de petróleo russo, incluindo Índia e China. A medida coloca o governo indiano diante de um dilema: reduzir as importações de petróleo da Rússia poderia elevar os preços dos combustíveis e pressionar as contas públicas, enquanto a manutenção das compras pode aumentar os riscos para as exportações indianas aos Estados Unidos.
A Índia está entre os maiores compradores de petróleo russo desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022. Atualmente, o petróleo bruto da Rússia representa mais de 40% do fornecimento indiano. O governo de Nova Délhi afirmou que pretende continuar garantindo a segurança energética da população por meio de fontes diversificadas e alertou que novas tarifas americanas poderiam prejudicar as relações entre os dois países e afetar o mercado global de energia. Ao mesmo tempo, as negociações para um acordo comercial entre Índia e Estados Unidos enfrentam novos obstáculos.
A questão também ganhou peso político na Índia, onde o governo de Modi se prepara para eleições regionais importantes a partir do início de 2027. Um eventual aumento nos preços dos combustíveis poderia gerar pressão sobre o governo, enquanto uma redução nas compras de petróleo russo poderia afetar o custo do abastecimento. A nova legislação americana, portanto, acrescenta mais um ponto de tensão às relações entre Washington e Nova Délhi, que já enfrentam divergências comerciais e tarifárias.
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