domingo, 06 de setembro de 2026
28/08/2026   13:20h - Meio Ambiente

Pesquisadora diz que El Niño não gera incêndios por si só

As condições climáticas associadas ao El Niño podem aumentar o risco de grandes incêndios no Brasil, mas o fenômeno não é responsável por iniciar o fogo. Segundo Ane Alencar, diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), as ignições no país são predominantemente provocadas por atividades humanas, enquanto secas prolongadas, altas temperaturas e baixa umidade favorecem a propagação das chamas.

 

Em entrevista, a pesquisadora explicou que temporadas severas ocorrem quando três fatores se combinam: condições climáticas extremas, grande disponibilidade de material combustível e presença de fontes de ignição. O El Niño pode reduzir as chuvas e prolongar a estação seca em partes da Amazônia e do Norte do país, tornando a vegetação mais inflamável e aumentando a possibilidade de pequenos focos se transformarem em grandes incêndios.

 

A seca também dificulta o combate às queimadas. Com a perda de umidade da vegetação, o fogo se espalha mais rapidamente, permanece ativo por mais tempo e pode atingir áreas maiores. Em regiões amazônicas já atingidas por incêndios, o risco tende a aumentar porque a abertura do dossel permite maior entrada de luz, calor e vento, deixando a floresta mais seca e vulnerável a novos episódios de fogo.

 

Para Alencar, as mudanças climáticas ampliam esse cenário de risco ao elevar as temperaturas, intensificar a perda de umidade da vegetação e aumentar a frequência de condições favoráveis a incêndios extremos. Entre as medidas apontadas estão o uso antecipado de previsões climáticas para identificar áreas vulneráveis, redução das ignições em períodos críticos, reforço das brigadas e adoção de estratégias de Manejo Integrado do Fogo, com coordenação entre municípios, estados e governo federal.

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